SAHIC aponta novos rumos da hotelaria na América Latina

23/03/2026

A América Latina possui seu próprio ritmo e desafios. Para entender melhor o panorama da região, Patrícia Boo, diretora Regional para a América Latina do STR, trouxe dados sobre o desempenho do setor hoteleiro na 20ª edição do SAHIC. Seguindo com a programação do evento na manhã de hoje (23), a executiva dividiu sua apresentação em três frentes: demanda, oferta e rentabilidade.

De acordo com dados da STR, há uma desaceleração global de 2,6% em termos de demanda. Mesmo com as instabilidades geopolíticas, a diretora destacou o crescimento da procura por viagens. Segundo a executiva, a América Latina e o Caribe se beneficiam dos conflitos em outras regiões, pois recebem turistas que viajariam para outros locais.

“O crescimento da demanda não é o mesmo para todos. Falando em tarifa, que vem avançando em níveis altos, todos os mercados estão aproveitando essa subida, mas a realidade é que não é sustentável o crescimento de dois dígitos ano após ano. Acredito que teremos uma contração em 2026”, disse Patrícia.

O fluxo internacional de turistas também vem crescendo na região. Em 2025, o Brasil, por exemplo, recebeu 9,3 milhões de visitantes estrangeiros. O cenário positivo se repete na região como um todo, com a diferença de que alguns destinos dependem mais da demanda norte-americana — o que gera perda de diversificação de mercados emissores.

“Câmbio e conectividade aérea são outros fatores que podem ajudar ou prejudicar esse movimento de demanda internacional. Bahamas, México e Belize são os destinos mais dependentes dos norte-americanos”, afirmou Patrícia. Entre as praças citadas, o Brasil está entre os menos dependentes dos norte-americanos.

Panorama por categorias

Na análise por categorias de hotéis, empreendimentos de luxo apresentaram crescimento de demanda acumulado desde 2020. Propriedades midscale também registraram boa recuperação de ocupação após a pandemia, com destaque para a força do mercado doméstico.

“Cada país é um mundo e conta sua própria história, mas a maioria das praças se recuperou em ocupação frente à pandemia. Poucos mercados ainda estão abaixo”, pontuou Patrícia.

Do outro lado do balcão, alguns segmentos estão reconfigurando a oferta hoteleira na região. Nos últimos 12 meses, o setor cresceu 1% em oferta, com variações moderadas entre os países. Peru, Brasil e Bahamas, por exemplo, apresentam avanços na casa dos 9% considerando o período de 2019 a 2026.

Segundo Patrícia, o segmento all-inclusive vem transformando a oferta do setor na América Latina e no Caribe. “É uma realidade e não uma tendência de estrutura de competitividade. Na América do Sul, apenas 4% da oferta é all-inclusive — a maior parte da oferta latino-americana está no México e na República Dominicana”.

Rentabilidade

Ao abordar a rentabilidade do setor, Patrícia destacou o Brasil como um dos países com maior crescimento de RevPAR no segmento upper upscale. Com crescimento impulsionado pela tarifa nos últimos 24 meses, os mercados latino-americanos têm desafios pela frente. “Esperamos crescimento de um dígito, e não de dois, como estávamos acompanhando nos últimos anos”, disse a diretora da STR.

Para a executiva, eficiência e produtividade são palavras-chave para elevar as margens da hotelaria em 2026. Enquanto hotéis de luxo apresentaram maiores avanços em TRevPAR, os mesmos acumulam os maiores gastos operacionais.

“Os hotéis independentes tiveram queda de 6,2% nas receitas totais. Isso é curioso ou perigoso? Para maximizar a rentabilidade, o caminho mais fácil é reduzir custos, mas há muitos riscos, como a experiência do cliente”, analisou Patrícia.

Para finalizar sua apresentação no SAHIC, a executiva enfatizou a importância de operadores bem estruturados, focados em eficiência, disciplina comercial e boa distribuição.

Fonte: Hotelier News

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