Reforma Tributária: mais de 60% das empresas ainda não mediram o impacto nos negócios

Estudo da Qive mostra que empresas pequenas estão significativamente mais despreparadas para as mudanças trazidas pela reforma

A maioria das organizações brasileiras ainda não está devidamente preparada para a implementação da Reforma Tributária do Consumo, que já está em vigor. De acordo com o Panorama do Contas a Pagar 2026, pesquisa realizada pela plataforma de gestão de pagamentos Qive, 40% das empresas ainda não começaram a identificar os impactos da reforma e, embora 25% estejam planejando iniciar esse processo, apenas 38% efetivamente deram início ao mapeamento dos efeitos – os 62% remanescentes, não.

O estudo foi realizado com o suporte da Opinion Box, por meio de contratação exclusiva para esta análise. A amostra contemplou 406 profissionais de empresas de variados portes em todo o território nacional.

“O dado de que boa parte das companhias ainda não iniciou seu mapeamento nos chama atenção, já que é um fator de risco que poderia ser mitigado. A transição exigirá a revisão estrutural de processos e sistemas, e não apenas adequações pontuais. As companhias que iniciarem este processo maio cedo terão mais capacidade de transformar a obrigação em vantagem competitiva”, afirma Erika Daguani, CPO da Qive.
Atualmente, metade das organizações consultadas declarou utilizar algum sistema integrado de gestão (ERP) ou outras plataformas que executam e automatizam funções como geração de relatórios (20%), entrada de documentos (15%) e cadastros (15%). A conferência dos documentos, entretanto, figura entre as tarefas menos automatizadas (11%).
Com a implementação da RTC a partir de 2026, mais da metade dos entrevistados indicou a intenção de automatizar e/ou aumentar a periodicidade (60%) desse processo de conferência. Contudo, o grupo restante, que é considerável, permanece inerte.

Para Daguani, essa divisão reflete o grau de maturidade da gestão fiscal no país. “Organizações com processos digitalizados e governança fiscal sólida tendem a enxergar oportunidades estratégicas. Já as que ainda enfrentam ineficiências internas estão mais propensas a ver a reforma como uma ameaça”, avalia.

Quanto menor, mais despreparada

Os dados da pesquisa também evidenciam que as empresas de grande porte são as mais preparadas: 85% já acompanham notas técnicas e propostas da reforma, 75% estão revisando processos e ERPs, e 70% realizam simulações de cenários.

Em contrapartida, 60% das PMEs reconhecem não ter iniciado nenhuma ação preparatória, um quadro que pode acarretar maior dependência de suporte externo e custos elevados de adaptação nos primeiros anos da transição.

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