Refinarias privadas querem compra emergencial de óleo da União

Refina Brasil defende prioridade na compra do petróleo nacional pelas refinarias privadas para que não precisem importar o óleo mais caro por causa da guerra e possam abastecer o mercado brasileiro em condições de igualdade com os preços de venda da Petrobras
12/03/2026

A Refina Brasil, que representa as refinarias privadas do país, quer que o governo autorize a compra emergencial de petróleo da União, comercializado pela PPSA, em condições favoráveis para que possam elevar sua produção de diesel e complementar o abastecimento nacional em condições de igualdade com os preços de venda do combustível no país pela Petrobras. 

A informação foi dada pelo diretor de Novos Negócios da Refina Brasil, Matheus Soares, em entrevista na quarta-feira (11) à Brasil Energia, com a explicação que 30% do petróleo que refinam no Brasil é importado e está sendo comprado a preços mais altos por causa do conflito do Oriente Médio.

A falta de competitividade com os preços da Petrobras, leva as empresas a reduzirem a importação de petróleo e consequentemente a produção de derivados no mercado nacional, no qual possuem 15% de market share.

A compra excepcional de petróleo da União não foi incluída no pacote de medidas anunciado pelo governo, nesta quinta-feira (12), para conter a alta do preço e o desabastecimento do diesel no mercado consumidor brasileiro, que zerou impostos federais e criou subvenção para a vendas do diesel.

O governo também vai taxar a exportação de petróleo para compensar a perda de arrecadação e, segundo destacou o Ministro da casa Civil, Rui Costa, também forçar a destinação do óleo cru que vem sendo exportado para o refino nacional. 

Segundo o diretor da Refina Brasil, trazer o petróleo de fora para refinar no Brasil vem sendo um desafio, uma vez que o preço do barril do petróleo já tem o “fator guerra” embutido. E isso faz com que considerem um aumento de preço na produção. 

Matheus Soares observa que as refinarias privadas não sustentam a mesma dinâmica de preços da Petrobras, que tem “bolso fundo” para “cobrir a queima de caixa ao manter o preço controlado”. 

Além da prioridade para obter o petróleo nacional, o executivo também defendeu ajustes regulatórios, como a correção dos preços de referência, o preço de paridade de importação (PPI) e a política de preços da Petrobras.

Para ele, se o país continua em um cenário de avanço na exploração, considerando a Margem Equatorial, e ampliação da produção de petróleo sem infraestruturas para industrializar a commodity no país, vai de novo por situações como está vivendo hoje, mesmo sendo um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo. 

Escassez de produtos pode se agravar

Matheus Soares alertou que essa situação está levando refinarias a parar o processamento de derivados e na distribuição e varejo medidas de contingenciamento já estão sendo adotadas. 

“Acredito que tanto nós como a Petrobras estamos fazendo o possível para botar o produto no mercado. Independentemente das variáveis de preço”, afirmou. No entanto, analisa que ao tentar controlar os preços das distribuidoras, a estatal está limitando ou mudando a forma de disponibilizar o produto refinado, e isso a deixa prejudicada. 

Na opinião do diretor da Refina Brasil, a modalidade de leilão de diesel adotado pela estatal, pode estar interferindo na quantidade de produtos que vão para as regiões. 

Ele prevê que, diante do cenário atual, em que já houve relatos de escassez em Rio Grande do Sul e Goiás, e da perspectiva de continuidade da guerra combinado com a defasagem de preços da estatal, o cenário de escassez pode se agravar. 

O diesel foi apontado como o produto com maior vulnerabilidade no cenário atual, podendo ser o primeiro a ter redução nas importações. E a geopolítica é um fator importante, tendo em vista que a reorganização dos fluxos devido ao conflito deixa os mercados mais distantes e menos expressivos pouco interessantes para os exportadores de diesel. 

Segundo dados da ANP, o Brasil produz somente 2,259 milhões de m³ de diesel S10, ou seja, 31,57%. Entre os maiores produtos refinados no país estão o óleo combustível (1,1 bilhão de kg – 46,26%), a gasolina (2,236 milhões de m³ – 31,25%), o óleo combustível marítimo (447 milhões de kg – 18,54%) e o diesel S500 (1,111 milhão de m³ – 15,52%). 

Ao todo, o Brasil tem 18 refinarias, sendo 11 somente da Petrobras, representando 86% de participação. Em termos de processamento de petróleo, destacado no Painel Dinâmico de Participação no Processamento de Petróleo da ANP, a Refinaria Planalto de Paulínia (Replan) detém a maior porcentagem (18,2%), seguida da Refinaria Henrique Lage (Revap) (12,3%) e a Refinaria de Mataripe (Rlam) (12,3%). As duas primeiras são operadas pela Petrobras, enquanto a última é pela Acelen. 

Das privadas que estão listadas no Painel Dinâmico da agência, a Refinaria Clara Camarão, da Brava Energia, localizada no Rio Grande do Norte, tem 1,3%; a Refinaria do Amazonas (Ream), do Grupo Atem, detém 0,3%; a Dax Oil, localizada na Bahia, tem 0,1%. A Refinaria de Manguinhos e a SSOIL não apresentaram porcentagem nesta categoria.

Fonte: Brasil Energia

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