Petrobras: três refinarias estão operando acima de sua capacidade

Segundo Magda Chambriard, presidente da estatal, existia uma expectativa de que o conflito entre EUA/Israel e Irã fosse um conflito curto. “Com o fluxo no estreito de Ormuz praticamente interrompido, é difícil ter uma estimativa de recuperação”, afirmou a executiva
18/03/2026

A Petrobras tem hoje três refinarias operando acima de sua capacidade instalada por causa do conflito do Oriente Médio, disse Magda Chambriard, presidente da Petrobras, em conversa com jornalistas após a cerimônia de cessão do prédio do Automóvel Club para o Museu do Petróleo e Novas Energias, no Rio de Janeiro (RJ), nesta quarta-feira (18). Uma delas é a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná.

“Isso acontece porque estamos entregando cerca de 10% a 15% a mais do que os nossos compromissos. Não estamos descontinuando nenhuma entrega que foi compromissada. Em outras palavras, estamos fazendo ‘das tripas coração’ para ampliar a entrega das nossas refinarias. Além disso, postergamos a parada de manutenção de algumas unidades, porque temos a noção de que somos uma empresa estatal que precisa acudir a segurança energética do país quando ele nos demanda”, afirmou Chambriard.

Segundo Magda, existia uma expectativa de que o conflito entre EUA/Israel e Irã fosse um conflito curto. “E o desenrolar desse conflito está mostrando que ele vai se estender além do inicialmente esperado, com consequências para o Brasil e para o mundo todo. Hoje, o fluxo no estreito de Ormuz está praticamente interrompido, e isso tem reflexos para o abastecimento de petróleo cru e derivados no mundo. É muito difícil a gente prever o futuro. O que temos que fazer é nos preparar da melhor maneira para enfrentar esse desafio”, disse a presidente.

Chambriard também afirmou que a guerra interrompeu a produção de 8 milhões de bpd de petróleo cru no Oriente Médio, sendo difícil ter uma expectativa de recuperação. “Quanto tempo isso vai demorar? Ninguém sabe. E isso afeta a estimativa de recuperação. Interromper produção é fácil, restaurar nem tanto, principalmente quando instalações são bombardeadas. Por isso, continuamos avaliando e reavaliando, para saber o que mais vamos precisar daqui pra frente e de como a gente pode enfrentar isso enquanto estatal, evitando repassar a volatilidade para a sociedade”, completou. 

O Museu do Petróleo e Novas Energias é uma iniciativa do IBP, com desenvolvimento do projeto pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) e participação das empresas Petrobras, CNOOC e Prio. A Prefeitura do Rio de Janeiro está realizando a restauração, reforma e adaptação do edifício, que ficou anos abandonado. As obras foram iniciadas em junho de 2023.

Fonte: Brasil Energia

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