Petrobras solicita reanálise da aquisição da JV da Wilson Sons

Estatal afirma que a decisão do Cade de aprovar a aquisição da Wilson Sons Ultratug Offshore pela Tidewater não enfrentou de maneira adequada os riscos da operação, sendo necessária uma análise aprofundada e eventual imposição de remédios capazes de preservar a concorrência
20/03/2026

Em documento enviado ao Cade na quarta-feira (18), a Petrobras solicitou a admissão como terceira interessada e a interposição de recurso no âmbito do processo que aprovou a aquisição da Wilson Sons Ultratug Offshore (joint venture entre a Wilson Sons e a Ultratug, do grupo chileno Ultranav) pela Tidewater

Segundo a estatal, a decisão do Cade de aprovar a aquisição não enfrentou de maneira adequada os riscos da operação, sendo necessária a realização da instrução complementar pelo Tribunal do Cade, com análise aprofundada e eventual imposição de remédios capazes de preservar a concorrência e assegurar a eficiência das operações de O&G.

No documento, a Petrobras afirma que grande parte das embarcações de propriedade da Wilson Sons Ultratug Offshore são oriundas de processos de contratação da estatal e foram construídas especificamente para atender às suas exigências técnicas. Atualmente, tais embarcações representam cerca de 20% da frota contratada em operação pela companhia.

“Por outro lado, a recente aquisição da empresa pela Tidewater – operadora com presença global em diversos mercados – gera um risco concreto de que essas embarcações passem a ser ofertadas fora do Brasil, sobretudo em mercados que não possuem mecanismos de proteção regulatória, como o oeste da África ou o Extremo Oriente”, diz a Petrobras na petição.

Diferentemente da Wilson Sons Ultratug Offshore, cuja atuação se restringe ao território brasileiro, a Tidewater – por operar de forma integrada em diversos mercados internacionais – detém uma vantagem competitiva significativa ao comparar o retorno de seus ativos alocados no Brasil com aqueles empregados no exterior.

“A retirada dessas embarcações das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB) não afetaria apenas as operações da Petrobras, mas também de outras operadoras no país, em razão da potencial redução da oferta de embarcações disponíveis no mercado local”, defende a estatal no documento. 

Além disso, a Petrobras afirmou que o Cade também deve considerar, no âmbito da operação, outro movimento de mercado anunciado em 27 de fevereiro deste ano: a possível fusão entre a OceanPact e a CBO. “Esse contexto adicional reforça a necessidade de uma análise mais aprofundada e integrada dos potenciais impactos concorrenciais”, completou.

O Cade aprovou a aquisição da Wilson Sons Ultratug Offshore pela Tidewater no último dia 13. Como justificativa, o órgão antitruste apontou que a sobreposição horizontal, decorrente da participação conjunta das duas empresas, é abaixo de 20% (acima do limite é considerado posição dominante e com possível poder de mercado). 

As empresas anunciaram a transação em fevereiro deste ano. O valor acordado foi de aproximadamente US$ 500 milhões, e inclui a assunção da dívida existente da JV, de cerca de US$ 261 milhões.

A Wilson Sons Ultratug Offshore possui uma frota de 22 PSVs (Platform Supply Vessels), sendo que 21 estão em operação no Brasil e 19 foram construídas no país. Com a aquisição, a Tidewater aumenta sua frota no Brasil de seis para 28 embarcações, e terá uma frota de 213 OSVs (Offshore Support Vessels), elevando o tamanho total de sua frota global para 231 embarcações, incluindo barcos de apoio à tripulação, rebocadores e embarcações de manutenção. 

Fonte: Brasil Energia

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