Petrobras: produção não surpreende, mas analistas veem dividendos pressionados no 4T

Analistas fazem projeções dos resultados da estatal após divulgação do relatório de produção e vendas
11/02/2026

A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou seus dados de produção e vendas, fechando o quarto trimestre do ano com produção média de 3,081 milhões de barris diários (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural), uma alta de 18,6% na comparação com igual período do ano passado. No ano, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, 11,1% maior.

Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o período de outubro a dezembro apresentou queda de 1,1% na produção.

A estatal coloca entre os principais fatores para o aumento da produção na base anual a alta da capacidade de produção dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias e a maior eficiência operacional, de 3,6 ponto percentual (p.p) acima do resultado de 2024, principalmente em plataformas da Bacia de Santos.

Na visão da XP Investimentos, os dados foram marginalmente positivos. A leve queda na produção já era esperada e amplamente antecipada. Apesar de volumes de produção relativamente neutros, acredita que o relatório adiciona um potencial positivo ao resultado do 4° trimestre de 2025, já que as vendas implicaram uma desestocagem de cerca de 178 mil barris por dia (kbpd).

O JPMorgan vê os dados como neutros. No geral, o 4º trimestre apresentou níveis de produção estáveis ​​em comparação com o trimestre anterior, praticamente em linha com as expectativas. A produção no pré-sal permanece dominante, com 82%, próxima aos níveis recordes observados no trimestre anterior.

No acumulado do ano, a Petrobras superou o limite superior de sua projeção em 4%, com crescimento de produção de 11% em relação a 2024. No segmento de refino e distribuição, as vendas também ficaram em linha com as expectativas e ligeiramente abaixo do 3º trimestre de 2025 devido a fatores sazonais. As vendas de combustíveis atingiram 1,771 milhão barris por dia, novamente em linha com as expectativas da JPMorgan. Para o futuro, espera uma continuidade no crescimento da produção, à medida que a empresa aumenta sua capacidade e coloca em operação novas plataformas.

O BTG Pactual aponta ainda produção estável em exploração e menor utilização das refinarias parcialmente compensada por maiores exportações de petróleo.

De olho nos resultados do 4º trimestre

Após os dados de produção do quarto trimestre, os analistas ajustaram suas projeções para os resultados, a serem divulgados no próximo dia 5 de março.

O Goldman Sachs aponta estar em grande parte alinhado com o consenso da Bloomberg em relação ao nível de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para o trimestre e, atualmente, espera que a empresa anuncie US$ 1,3 bilhão em dividendos ordinários juntamente com os lucros (rendimento de dividendos de aproximadamente 1%), com base na política de remuneração de acionistas da empresa de distribuir 45% do fluxo de caixa livre em proventos.

“Vale lembrar que a distribuição deste trimestre deve ser impactada negativamente pela aquisição das participações minoritárias do governo nos campos do pré-sal na Bacia de Santos em dezembro”, aponta.

Fonte: Info Money

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