Petrobras já produz mais 50 mil bpd de diesel

A empresa adiou paradas programadas de unidades das refinarias para garantir que o fator de utilização da capacidade alcance a marca de 95% neste mês
12/03/2026

Em um cenário de instabilidade de abastecimento de diesel no mercado internacional e alta demanda interna pelo produto, a Petrobras busca produzir o máximo do combustível em suas refinarias, neste momento, segundo uma fonte. A expectativa é produzir mais 50 mil barris por dia (bpd) neste mês e alcançar um fator de utilização da capacidade (FUT) interna de refino de 95%, em março, percentual equivalente ao de fevereiro. 

O fator de utilização das refinarias, de 2023 a 2025, foi, em média, de 92%, já considerado elevado frente a anos anteriores. Essa foi também a marca alcançada no ano passado. 

Para chegar aos 95% de FUT, a Petrobras vai adiar paradas programadas em refinarias. Assim, espera produzir o máximo de óleo diesel que as suas unidades são capazes neste momento. Esse acréscimo, no entanto, não será suficiente para fazer frente à crise gerada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Hoje, são importados 250 mil bpd de óleo diesel. 

A Petrobras está ciente de que uma mudança de cenário de oferta só será alcançada, de fato, após a implementação de uma série de Revamps nas refinarias, somadas ao início da operação do Trem 2 da Rnest, em Pernambuco, e do Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, o que deve acontecer ao longo do plano estratégico de 2026 a 2030, quando devem ser acrescentados 330 mil bpd de capacidade de diesel. 

O Trem 2 da Rnest está previsto para entrar em operação em 2029 e incrementar em 130 mil bpd a capacidade de refino da petrolífera. Para isso, já foram investidos US$ 100 milhões, de um total de US$ 2 bilhões. Com a obra, a Petrobras vai ampliar em 88 mil bpd a oferta de diesel S-10 no mercado. Já com o Complexo de Energias Boaventura serão mais 75 mil bpd do produto. 

O diesel responde pela maior receita com venda de derivados pela Petrobras. Em 2025, foram R$ 149 milhões, 1,3% mais do que no ano anterior. Esse valor representa mais da metade do que ela ganhou com gasolina, R$ 68 milhões. Uma parte do comércio de diesel é garantido com importação. 

Na Petrobras, o anúncio de medidas pelo governo para conter a alta dos preços do diesel e o desabastecimento do combustível no mercado interno foi bem recebido, principalmente, por conta da subvenção de R$ 0,32 por cada litro produzido. A empresa, no entanto, vai ser prejudicada pela criação de um imposto de exportação de petróleo com alíquota de 12%.

Fonte: Brasil Energia

OUTROS
artigos