Negociação com credores segue dura e Braskem Idesa fica mais perto de ‘Chapter 11’, dizem fonte

Tratativas entre a companhia, suas sócias e credores não avançaram de forma concreta desde a rejeição à proposta de aporte de US$ 700 milhões das acionistas na companhia mexicana, segundo fontes
06/02/2026

Ainda sem um acordo com seus credores e já em “default”, a Braskem Idesa, petroquímica mexicana controlada pela Braskem, está mais perto de um potencial “Chapter 11” (processo similar à recuperação judicial previsto na lei da falências dos Estados Unidos), medida que também divide as partes envolvidas na negociação para reestruturar US$ 2,28 bilhões em dívidas, segundo fontes ouvidas pelo Valor.

Conforme esses interlocutores, as tratativas entre a companhia, suas sócias — Braskem e Idesa , controlada por um dos braços de negócio do conglomerado do magnata mexicano Carlos Slim — e credores, entre os quais o Grupo Financiero Inbursa, do próprio Slim, não avançaram de forma concreta desde a rejeição à proposta de aporte de US$ 700 milhões das acionistas na companhia mexicana.

Há cerca de três semanas, a Braskem revelou que a Braskem Idesa e um grupo de detentores de títulos de dívida no mercado internacional, com vencimentos em 2029 e 2032, fracassaram em chegar a um acordo numa primeira rodada de apresentação de propostas de reestruturação financeira.

Enquanto os credores não aceitaram a proposta levada pela empresa em meados de dezembro, prevendo aporte de US$ 700 milhões — US$ 300 milhões em uma linha de crédito de curto prazo (“liquidity facility”) ancorada pelos acionistas e US$ 400 milhões em aporte de capital, propriamente, pelos sócios — , a Braskem Idesa rejeitou a contraproposta feita em janeiro pelos credores.

Segundo documento divulgado pela Braskem, os bondholders endureceram os termos da reestruturação, pedindo juros mais elevados e novas garantias, além de elevar a US$ 900 milhões o valor a ser injetado na petroquímica mexicana, dos quais US$ 700 milhões em aporte de capital por parte dos acionistas.

Sob esses termos, avalia uma fonte, era improvável que a reestruturação avançasse, o que de fato não aconteceu. Além de a Braskem estar ela mesma trabalhando em uma ampla reestruturação financeira, dada sua elevada alavancagem, e não ter flexibilidade para grandes desembolsos no momento, não está claro se algum dos grupos de Slim, que já aportaram recursos relevantes na Braskem Idesa, estaria disposto a voltar a injetar recursos significativos na empresa.

Numa operação que exija maior aporte de recursos por parte de Slim, que também é credor importante da Braskem Idesa — seu Grupo Financiero Inbursa, hoje maior acionista da Idesa, por exemplo, foi o grande financiador do terminal de importação de etano recém-inaugurado pela companhia —, a Braskem seria diluída e tenderia a perder o controle da Braskem Idesa. Hoje, a sócia brasileira tem uma fatia de 75%, enquanto os mexicanos detêm 25%.

A Braskem contratou, no início de setembro, assessores financeiros (Lazard, Cleary Gottlieb Steen & Hamilton e Sainz Abogados) para reestruturar a dívida do complexo petroquímico mexicano. Naquele mês, a S&P Global Ratings rebaixou o rating da Braskem Idesa de “B-” para “CCC”, com observação negativa.

Em novembro, a Braskem informou que a companhia mexicana deixou de pagar US$ 33,3 milhões em cupom relativo a notas seniores garantidas com vencimento em 2029, cujo principal soma US$ 900 milhões. A S&P cortou novamente a nota da Braskem Idesa, para “D”.

“A Braskem Idesa demonstrou liquidez significativamente enfraquecida, com caixa de US$ 60 milhões a US$ 65 milhões em 30 de setembro, o que acreditamos ser insuficiente para cumprir as obrigações futuras, mesmo considerando os períodos de carência”, escreveu a equipe da S&P.

“A empresa provavelmente enfrentará uma potencial reestruturação de todos os instrumentos de dívida. Portanto, acreditamos que é praticamente certo que haverá inadimplência em todas as obrigações que estão vencendo”, diz o relatório.

Procurados, o grupo Carso, conglomerado de Slim, e a Braskem não comentaram. A Braskem Idesa informou que o assunto é abordado no nível dos acionistas e não tem informações adicionais. O Grupo Financeiro Inbursa ainda não se manifestou.

Fonte: Valor Econômico

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