Reservatórios estratégicos ganharam pouco volume ao longo do mês e o uso de térmicas vem subindo com a pressão da carga, impactando o PLD
29/01/2026
Na véspera de definição da bandeira tarifária a vigorar em fevereiro, os números não parecem favorecer a manutenção da cor verde como patamar para a composição da conta de luz do mês do Carnaval. Choveu pouco este mês nas áreas de maior interesse do SIN, a recuperação dos reservatórios foi limitada, o uso de térmicas está acelerando e o preço da energia no mercado spot (PLD) não para de subir.
Um mergulho no banco de dados do ONS mostra que o aumento do volume útil dos principais reservatórios que alimentam as cascatas de hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) e do Nordeste foi muito baixo se comparado a janeiro passado, que não havia sido dos melhores, e pior ainda em relação ao último janeiro bom, o de 2023.
O armazenamento de Furnas, o principal do SE/CO, passou de 31,08% no dia 31 de dezembro passado para 36,81% ontem, dia 28, um ganho de 5,73 pontos percentuais. No dia 31 de dezembro de 2024 o reservatório estava com 39,09% de estoque, passando para 53,07% no dia 28 de janeiro, um ganho de 13,98 pontos. E se a comparação for de 31 de dezembro de 2022 com 28 de janeiro de 2023, o acréscimo foi de 27,94%, de 65,79% para 93,73%.
Um olhar sobre os demais reservatórios mais relevantes para os dois subsistemas não constata números muito diferentes. Nova Ponte, no rio Araguari, afluente do Paranaíba, teve acréscimo de pouco mais de um ponto percentual, de 30,52% em 31 de dezembro passado para 31,58% ontem.
Em Sobradinho, pulmão do subsistema Nordeste, o ganho foi de apenas dois pontos percentuais, de 43,21% para 45,21% de 31 de dezembro para ontem. No dia 28 de janeiro do ano passado Sobradinho estava com 66,04% de volume útil e tinha ganho quase 20 pontos em relação aos 48,48% de 31 de dezembro de 2024.
Com as hidrelétricas a perigo e a carga apertando, como é normal no verão, a solução é apelar para as térmicas. Ontem, 28, para uma carga de 91.190 MWmed, as térmicas contribuíram com 9.848 MWmed, ou 10,73%. Na esteira das térmicas, o preço sobe. Às 19h de ontem o PLD bateu R$ 519, 66 por MWh. O piso vigente é de R$ 57,31.
Fonte: Brasil Energia



