30/03/2026
A micro e minigeração distribuída (MMGD) registrou retração em 2025, levando a uma mudança no modelo de atuação das empresas do setor. Segundo estudo da Greener, foram adicionados 8,8 GW no ano, com movimentação de R$ 23,7 bilhões em investimentos, queda de 12% em relação a 2024.
Apesar da desaceleração nas novas conexões, a capacidade instalada total atingiu 45 GW, o que representa uma expansão de 24% do parque solar brasileiro.
A base de consumidores com GD instalada alcançou 4 milhões em 2025, enquanto 3,2 milhões de unidades consumidoras passaram a receber créditos de forma remota, um avanço de 26% frente ao ano anterior.
De acordo com o levantamento, mesmo com a expansão da base, o volume de novas conexões recuou, com queda de 5% na comparação anual.
O desempenho mais baixo foi puxado pela minigeração distribuída, que registrou retração de 31% nas novas instalações em relação a 2024. Já a microgeração, sistemas com potência de até 0,75 MW, teve redução mais moderada, de 6%.
O segmento residencial respondeu por 57% da potência adicionada em 2025. Na sequência aparecem os segmentos comercial (24%), rural (11%) e industrial (7%), além de 1% classificado como “outros”.
O perfil do mercado contou com cerca de 80% das empresas vendendo até 0,5 MW no ano, reforçando a participação de integradores de pequeno porte e a forte presença no segmento residencial.
Cadeia de suprimentos, custos e crédito
O estudo também aponta uma desaceleração na cadeia de suprimentos. O volume nacionalizado em 2025 somou 17,9 GWp, queda de 20% em relação a 2024, retornando a patamares próximos aos de 2022.
Segundo a Greener, o comportamento das importações ao longo do ano indica um pico no último trimestre, possivelmente associado à recomposição de estoques por distribuidores.
Os custos logísticos também avançaram. Frete e seguro passaram a representar 8,23% do custo total, aumento de 3 pontos percentuais em relação a 2024. Já os custos de nacionalização permaneceram estáveis em 44%, impactados pelo fim do ex-tarifário, que elevou o imposto de importação para 25%.
O ambiente macroeconômico foi um dos principais vetores da desaceleração, conforme a pesquisa. O levantamento mostra que 41% das vendas em 2025 contaram com financiamento, mas o cenário de juros elevados reduziu a atratividade dessa modalidade.
Para 58% das empresas, os juros altos foram o maior obstáculo ao crescimento. Ao mesmo tempo, 49% destacam a pressão competitiva por preços baixos, que segue comprimindo as margens operacionais.
Além disso, a média mensal de orçamentos caiu para 21 em 2025, abaixo dos 26 registrados em 2024 e dos 43 em 2023, refletindo o fim do impulso observado após a transição regulatória. Em contrapartida, a taxa de conversão atingiu recorde de 22%, indicando maior maturidade comercial e uma demanda mais qualificada.
Diversificação de atuação das empresas
Diante desse cenário, integradores de GD revisaram suas estratégias e ampliaram o escopo de atuação. Segundo o estudo, 25% das empresas já se posicionam como “consultores de energia”, oferecendo soluções além da instalação de sistemas fotovoltaicos.
A diversificação de serviços tem se consolidado como movimento estrutural. Atividades como instalação elétrica (34%) e engenharia (24%) lideram essa expansão, geralmente em áreas complementares ao core técnico das empresas, aponta a Greener.
A adoção de um portfólio mais integrado, que inclui geração fotovoltaica, eficiência energética, mobilidade elétrica e gestão de consumo, tem permitido elevar o ticket médio e reduzir a dependência de novos clientes, em um ambiente de menor geração de leads.
Nesse contexto, a diversificação de canais aparece como prioridade estratégica para 2026. Para 28% dos integradores que responderam a pesquisa, o crescimento dependerá menos da demanda espontânea e mais de uma atuação comercial ativa, com maior qualificação de vendas e gestão da base instalada.
A avaliação do levantamento é que o próximo ciclo exigirá uma consolidação do modelo de negócios, em um ambiente de crédito mais seletivo, margens pressionadas e maior competição.
Desafios técnicos avançam
Além das questões econômicas, desafios técnicos também ganharam relevância entre os integradores. A inversão de fluxo já impacta a viabilidade de projetos em diversas regiões. Dos respondentes, 33% relataram ocorrências em 2025, acima dos 28% em 2024 e 20% em 2023.
Minas Gerais segue como o estado mais crítico, com 79% dos integradores reportando casos, patamar significativamente acima da média nacional.
Apesar do aumento das restrições, houve avanço na resolução dos casos, conforme análise da Greener, com 48% das alegações solucionadas em 2025, ante 45% no ano anterior. Ainda assim, a percepção é de que a pressão sobre a rede cresce mais rapidamente do que a capacidade de resposta.
Para contornar o problema, 49% dos integradores disseram ter recorrido ao modelo de fast track (até 7,5 kW). Mesmo assim, cerca de 20% dos projetos não foram concretizados, evidenciando impacto direto sobre as vendas.
Soluções mais estruturais, como sistemas grid zero ou contratação de empresas especializadas, ainda têm baixa adoção, utilizadas por apenas 10% dos players.
Fonte: MegaWhat



