A crescente concentração e aceleração da extração de óleo e gás no pré-sal sem o fortalecimento da capacidade nacional de refino e a retração expressiva da perfuração de poços exploratórios para repor reservas são apontados como riscos para a empresa e o país
11/02/2026
O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e a Federação Única dos Trabalhadores (FUP) manifestaram preocupação com os números de produção e vendas da Petrobras em 2025, divulgados na terça-feira (10), quando a empresa anunciou que produziu 2,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 11% em relação a 2024.
As instituições ligadas aos petroleiros viram nos números risco na concentração e aceleração da produção da estatal sem ampliação da capacidade nacional de refino, além da necessidade de aumento da exploração para maior reposição de reservas.
Segundo o Ineep, os números de produção da Petrobras em 2025 confirmam a centralidade e a dependência do pré-sal nas operações da empresa, região marcada por elevada produtividade e custos relativamente baixos quando comparada a outras províncias petrolíferas. A combinação permite à estatal sustentar resultados financeiros robustos por meio da maior produtividade e exportação de petróleo cru, inclusive em um contexto de preços internacionais mais baixos, como ocorreu em 2025.
No entanto, há duas preocupações principais, segundo o instituto. “A crescente concentração e aceleração da extração no pré-sal indicam uma lógica de curto prazo voltada à maximização de receitas, o que pode enfraquecer sua dimensão estratégica para a segurança energética e o desenvolvimento de longo prazo. Além disso, a expansão da produção sem o fortalecimento da capacidade nacional de refino reforça o perfil primário-exportador do país e mantém a dependência da importação de derivados, especialmente de diesel”, disse o Ineep em nota.
Na visão do instituto, dessa forma, os recursos energéticos, e, em particular, o petróleo e o gás, devem ser compreendidos como ativos estratégicos para a soberania energética e o desenvolvimento nacional, não podendo ser tratados apenas como commodities voltadas à geração de resultados financeiros imediatos.
Outro aspecto que preocupa os petroleiros é a retração da exploração de óleo e gás no Brasil como ameaça à redução da reprodução de reservas de petróleo e gás do país, apesar da Petrobras ter atingido em 2025 um Índice de Reposição de Reservas (IRR) de 175%, o melhor em dez anos, com a adição de 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente no período.
O resultado foi considerado importante pela Federação Única dos Trabalhadores (FUP), mas a entidade lembrou da queda expressiva da atividade de perfuração de poços no país. Segundo levantamentos do Ineep, com base nos dados da ANP, a perfuração de novos poços de petróleo vem caindo nas últimas décadas, com recuo de 80%. Em 2006/2015 foram perfurados 936 poços e em 2016/2025 esse número caiu para 203.
“O resultado é importante, mas o que necessitamos é de maiores investimentos na exploração, em busca de novas reservas de petróleo”, afirmou o coordenador-geral da entidade, Deyvid Bacelar, acrescentando que o Brasil precisa urgente ampliar suas reservas de petróleo, a fim de garantir a segurança energética e o protagonismo do país no mercado de óleo e gás. Para o sindicalista, a demanda por energia no mundo é crescente e impõe enormes desafios para acelerar também a inserção de fontes renováveis de energia.
Fonte: Brasil Energia



