Guerra agrava com bombardeios do Irã a navios em Ormuz

Membros da AIE concordam em liberar 400 milhões de barris de petróleo para conter alta dos preços, mas escalada da guerra mostra que estratégia da resistência iraniana aos ataques dos EUA e Israel é a aposta em um choque econômico com o prolongamento do conflito
11/03/2026

O agravamento da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que a cada dia envolve países vizinhos do Golfo Pérsico, registrou uma escalada nesta quarta-feira (11), com os primeiros bombardeios do Irã a navios cargueiros que tentaram trafegar no Estreito de Ormuz. Os reflexos do prolongamento do conflito foram sentidos nos preços do petróleo, com o barreis do Brent voltando a subir, para um patamar de cotação em torno de US$ 92.

As ameaças do Irã de manter o fechamento do transporte no Estreito de Ormuz se se confirmaram com três navios atingidos pelo país na região – um porta-contêiner e dois cargueiros. Um deles foi o tailandês Mayuree Naree, cuja imagem pegando fogo viralizou no mundo. Isso horas depois da divulgação pelos EUA na noite de terça-feira (10) de vídeos de 16 embarcações iranianas abatidas quando se preparavam para instalar minas no Estreito.

Os bombardeios aumentaram não só em Ormuz, mas em todo a região em torno do Golfo Pérsico. Neste dia, Israel fez vários bombardeios em Beirute, no Líbano, e o Irã atingiu com drones depósitos de combustíveis no porto de Omã e um prédio de luxo em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A guerra de retórica também continuou crescendo, com o Irã divulgando vídeo de um porta voz militar chamado Ebrahim Zolfaqari, prevendo uma alta surpreendente do preço do barril do petróleo em consequência da aposta em um choque econômico com o prolongamento da guerra.

Ele disse que o Irã passará de ataques recíprocos para ataques contínuos contra adversários, que os EUA não conseguirão controlar os preços do petróleo, que não permitirão que nem um litro de petróleo chegue aos EUA, a Israel e a parceiros deles e que qualquer embarcação ou petroleiro com destino a esses países será um alvo.

“Preparem-se para o barril de petróleo chegar a US$ 200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram”, afirmou.

A perspectiva de continuidade do bloqueio de 20% do petróleo consumido mundo, escoado pelo Estreito de Ormuz, fez com que os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) a aprovar, concordaram, a maior liberação de estoques de petróleo da história, 400 milhões de barris de petróleo, para suprir as interrupções nos mercados decorrentes da guerra no Oriente Médio.

“Os desafios que enfrentamos no mercado de petróleo são de uma escala sem precedentes, portanto, fico muito satisfeito que os países membros da AIE tenham respondido com uma ação coletiva de emergência de tamanho também sem precedentes”, disse o Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol.

A agência informou que as reservas de emergência serão disponibilizadas ao mercado num prazo adequado às circunstâncias nacionais de cada país membro e serão complementadas por medidas de emergência adicionais adotadas por alguns países.

Segundo a AIE, os países membros detêm reservas de emergência de mais de 1,2 bilhão de barris, além de outros 600 milhões de barris em estoques da indústria mantidos por obrigação governamental. A liberação coordenada de estoques é a sexta na história da AIE, criada em 1974. Ações coletivas anteriores ocorreram em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022, durante a crise econômica causada pela epidemia de Covid.

“O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro de 2026, tem impedido o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, com os volumes de exportação de petróleo bruto e derivados atualmente em menos de 10% dos níveis pré-conflito. Isso está forçando as empresas petrolíferas em toda a região a interromper ou reduzir substancialmente a produção”, disse a AIE.

Em doze dias de conflito, a tensão entre os países envolvidos oscila como os preços do petróleo, ao sabor da divulgação de notícias. No início da noite, o presidente dos EUA disse que circularam informações de que o Irã teria

No fim da tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano sabe onde estão as chamadas “células adormecidas” ligadas ao Irã, comentando notícias de que o país interceptou transmissões enviadas pelo Irã para seus agentes no exterior para supostos ataques e atentados. A previsão de acirramento do conflito já pode estar sendo sinalizado pelos mercados, com o preço do Brent para contratos futuros se aproximando da cotação de US$ 100.

Fonte: Brasil Energia

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