27/03/2026
Maior destaque do leilão de transmissão desta sexta-feira, 27 de março, com vitória em dois lotes, a Engie está apostando nos compensadores síncronos para diversificar seu portfólio em transmissão.
Para garantir vitória na disputa de hoje, a empresa negociou antecipadamente uma parceria com a fabricante WEG para os equipamentos.
Compensadores síncronos e parceria com a WEG
“A gente fez uma parceria muito boa com fornecedores de equipamentos, no caso dos síncronos, com a WEG. Então a gente realmente estava com um planejamento de investimento muito bem feito”, disse o diretor de Transmissão de Energia da Engie, Gustavo Labanca, em entrevista a jornalistas depois do certame.
Segundo Labanca, a entrada nos compensadores síncronos faz parte da diversificação do portfólio de transmissão da Engie.
“Temos linha de transmissão, de 230 kV, de 500kV, temos subestações e agora vamos ter o síncrono, que tem esse papel de gerar energia reativa para o sistema”, explicou.
Para ele, o sistema vai precisar de mais máquinas do tipo, então para a Engie é importante dominar a tecnologia para aproveitar novas oportunidades no futuro.
Disputa do lote 3
O edital previa que o lote 3, composto por quatro sublotes voltados à instalação de compensadores síncronos em subestações no Ceará e no Rio Grande do Norte, pudesse ser disputado de forma integral ou em quatro sublotes. O ativo envolve investimento estimado em R$ 1,4 bilhão e prazo de 42 meses.
Primeiro foram lidas as propostas para o lote completo. Depois, as menores propostas dos sublotes foram somadas e comparadas com a melhor oferta global.
A Engie companhia venceu ao apresentar as propostas mais competitivas nos quatro sublotes, com deságio médio de 54,83% sobre a RAP máxima de R$ 231,750 milhões.
A Axia havia feito a melhor proposta pelo lote 3 integral, com RAP de R$ 120 milhões e deságio de 48,22%, mas a soma das propostas vencedoras por sublote ficou abaixo desse valor.
Sinergias
A Engie vê ainda ganhos com sinergia com ativos no Nordeste, onde opera geração eólica e solar e tem ainda os ativos da TAG.
De acordo com Labanca, a estratégia no lote 2 também considerou sinergias, incluindo a conexão com uma subestação própria em Ponta Grossa, no Paraná.
Ele afirmou que a empresa já tem o sistema Gralha Azul no estado, com mais de mil quilômetros de linhas, e também um projeto em construção na região de Graúna, o que gera sinergias operacionais e de implantação.
O lote 2 prevê a linha de transmissão 230 kV Ponta Grossa–Canoinhas C1, entre Paraná e Santa Catarina, com 137 quilômetros, investimento estimado em R$ 193,6 milhões e prazo de 42 meses.
A Engie venceu com uma RAP de R$ 18,13 milhões, com deságio de 46,89% em relação ao teto de R$ 34,153 milhões.
RAP adicional da Engie
Labanca afirmou que a Engie deve chegar a cerca de R$ 1,4 bilhão de RAP em transmissão até 2027 e que os projetos arrematados agora acrescentam cerca de R$ 130 milhões de receita adicional.
Sobre o leilão previsto para o fim do ano, Labanca disse que a empresa vai avaliar os projetos caso a caso.
Segundo ele, será um leilão com projetos maiores e a análise envolverá traçado das linhas, licença ambiental, implantação e parcerias com fornecedores. Ele afirmou ainda que a expectativa é de participação da companhia no certame.
Fonte: MegaWhat



