Disparada do preço do combustível une Brasil e mais 42 países

Governos adotam medidas para tentar reduzir o impacto da alta do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio
30/03/2026

A reação do governo brasileiro de reduzir os impostos sobre o diesel e a criação de um programa de subvenção destinado a produtores e importadores do combustível está longe de ser única no mundo – mais de 40 países já adotaram medidas para tentar reduzir o impacto da disparada dos preços dos combustíveis desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no fim de fevereiro.

No Brasil, o governo zerou, por meio de medida provisória, as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização e estabeleceu auxílio para refinarias e importadores do combustível. Além disso, discute com os Estados a concessão de subsídio de R$ 1,20 por litro na importação de diesel – a expectativa é que os governadores deem uma resposta até hoje.

A combinação corte de impostos mais subsídios para o combustível também foi adotada por Irlanda e Filipinas, segundo levantamento da AIE (Agência Internacional de Energia), que apontou que 32 países adotaram ações de ajuda emergencial ao consumidor. Além disso, 22 governos tomaram medidas emergenciais para conservação de energia, como incentivo ao home office, fechamento de escolas e universidades e limite para temperatura do ar-condicionado.

Alguns países, como Espanha, Chile e Coreia do Sul, adotaram tanto medidas para reduzir o gasto de energia como para ajudar no bolso do consumidor. No total, ao menos 43 países já fizeram algum tipo de ação desde o início do conflito no Oriente Médio, segundo o levantamento da AIE com dados até quinta-feira (26).

Do lado das ações de auxílio para o consumidor, a mais comum até o momento é a redução de impostos, adotada por 19 países, seguida pela adoção de um teto máximo para o preço dos combustíveis (12) e a subvenção (oito). A lista inclui ainda medidas como o congelamento do preço do querosene (caso do Chile) e a determinação na Alemanha de que os postos só podem elevar, no máximo, uma vez por dia o valor do diesel e da gasolina.

Ações de governos vão desde corte de imposto até limitar temperaturas de ar-condicionado

A medida mais frequente para redução do consumo de energia são as campanhas para pedir ou obrigar que a população diminua seus gastos com eletricidade e combustível – 18 países seguiram essa estratégia. A segunda mais adotada (11 governos) foi limitar as viagens de funcionários públicos. Oito países estão incentivando o trabalho de casa, e o limite para a temperatura do ar-condicionado e o fechamento de instituições de ensino foram seguidos por cinco governos – Bangladesh e Sri Lanka tomaram essas últimas medidas simultaneamente.

O grupo de ações inclui também cota para compra de combustíveis (casos de Eslovênia, Sri Lanka e Bangladesh), o incentivo ao uso de transporte público (Chile e Vietnã, por exemplo) e até a redução do limite de velocidade nas estradas – estratégia seguida pelo Paquistão.

Todas essas medidas são uma reação à disparada do preço do barril de petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio. Na sexta-feira (27), o petróleo tipo Brent (referência mundial) subiu 4,22%, cotado a US$ 112,57 por barril. Na comparação com 27 de fevereiro, um dia antes do início dos ataques ao Irã, o petróleo já se valorizou em 55%.

Na semana passada, o Banco Mundial informou que havia sido procurado por vários países preocupados com o impacto do conflito no preço das commodities e na logística. “Estamos prontos para responder em grande escala – combinando ajuda financeira imediata com conhecimento especializado em políticas públicas e apoio do setor privado para a recuperação de empregos e crescimento”, afirmou o organismo em comunicado.

Fonte: Valor Econômico

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