Consórcio Libra investe R$ 151 milhões em projeto Libra Rocks

Financiado com recursos da cláusula PD&I, projeto vai desenvolver tecnologias inovadoras e a criação de modelos geológicos conceituais a serem aplicados em Mero, terceiro maior campo da Petrobras, localizado no pré-sal da Bacia de Santos
03/03/2026

A Petrobras e empresas parceiras do Consórcio de Libra investirão cerca de R$151 milhões, com recursos da cláusula PD&I, no projeto Libra Rocks para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e a criação de modelos geológicos conceituais a serem aplicados em Mero, terceiro maior campo da Petrobras, localizado no pré-sal da Bacia de Santos. 

Segundo a Petrobras, o Libra Rocks estabelece parceria estratégica entre o Consórcio e a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). As operações do campo unitizado de Mero são conduzidas pelo consórcio operado pela Petrobras em parceria com a Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC, CNOOC e Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA), como gestora do contrato e representante da União na área não contratada.

“O Libra Rocks tem potencial para reduzir incertezas na curva de produção, aumentar a eficiência no gerenciamento de reservatórios, otimizar a locação de novos poços e aprimorar o conhecimento sobre o timing de entrada do CO₂ e carga de óleo no reservatório”, avalia o Gerente Executivo de Libra, Bruno Moczydlower.

Segundo a Petrobras, o projeto, com duração de quatro anos, promete transformar a abordagem científica e tecnológica na área de exploração e produção de petróleo. Os conhecimentos adquiridos poderão ser aplicados diretamente na área de negócios, com potencial para aumentar o fator de recuperação e aumento de eficiência no gerenciamento de reservatórios.

Entre as principais inovações, destaca-se o uso de inteligência artificial para o desenvolvimento de algoritmos capazes de automatizar o processamento de dados geológicos. A tecnologia permitirá a construção de modelos conceituais detalhados das rochas carbonáticas da área de Libra, assim como formas de analisar rochas com métodos diferentes dos empregados atualmente.

A petrolífera informou que a iniciativa visa estudar a origem, composição, estrutura e transformação das rochas, para compreender características como a distribuição dos poros (espaços vazios), e a permeabilidade (a capacidade de permitir a passagem de fluidos). Além disso, aumentar o conhecimento sobre a evolução geológica relacionada à abertura do Atlântico Sul, decorrente da separação entre o Brasil e a África. A utilização de equipamentos de alta precisão e métodos modernos permitirá análises detalhadas e resultados mais confiáveis, consolidando o campo de Mero como referência em inovação e tecnologia no setor de petróleo e gás.

Outro destaque é a “Rocha Digital”, que consiste na utilização de imagens de altíssima resolução para criar réplicas 3D de amostras de rochas, ampliando a capacidade de caracterização de rochas reservatório de petróleo.

“O reservatório do campo está entre os mais estudados no Brasil devido ao seu potencial produtivo e desafios tecnológicos. Localizado a profundidades que variam de 5.000 a 6.000 metros abaixo do nível do mar, e em lâminas d’água de 1.800 e 2.000 m, destaca-se por condições singulares, como alta salinidade e elevado teor de CO₂. Sua formação é composta principalmente por rochas carbonáticas originadas há aproximadamente entre 125 e 113 milhões de anos. Essas rochas apresentam alta porosidade e boa permeabilidade, características que favorecem o armazenamento e o fluxo de petróleo. Essas particularidades reforçam a importância de aprofundar os estudos sobre as características rochosas da região para otimizar a produção e superar os desafios do setor. Além disso, os resultados podem gerar conhecimento geológico com potencial para serem aplicados em outros campos da seção pré-sal das bacias de Santos e Campos”, informou a Petrobras.

De acordo com a empresa, o Libra Rocks envolverá a aquisição de equipamentos de ponta, mais de 150 pessoas das universidades citadas, incluindo a concessão de mais de 90 bolsas de estudo de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Uma contribuição importante para a geração e manutenção de recursos humanos altamente especializados no Brasil, melhoria do parque tecnológico nacional, além de promover a interação interdisciplinar entre geociências e as áreas de IA, confirmando a permanente contribuição da Petrobras para o incentivo à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no país”, afirmou a Petrobras.

Fonte: Brasil Energia

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