Conflito no Irã amplia defasagem nos preços dos combustíveis e pressiona Petrobras por reajuste

Alta do petróleo após ataques ao país persa amplia distância entre preços das refinarias brasileiras e no mercado; empresas privadas já elevam valores

A escalada do conflito no Oriente Médio, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a ameaça de fechamento do estreito de Hormuz, provocou um choque nos mercados internacionais de energia e ampliou a defasagem dos combustíveis no Brasil, segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

O barril do Brent superou US$ 85 nesta 3ª feira (3.mar.2026), impulsionado pelo risco de interrupção da rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O diesel, ainda mais sensível à logística da região, chegou a US$ 134 por barril na Europa e passou a ser negociado mais de US$ 40 acima do preço do petróleo bruto, a maior diferença em dois anos e meio.

No Brasil, a disparada internacional ainda não foi acompanhada pelos preços nas refinarias. Relatório da Abicom atualizado com base no fechamento de 3 de março mostra que o óleo diesel está, em média, 25% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresenta defasagem média de 11% .

No caso do diesel, a diferença média é de R$ 0,82 por litro, variando entre R$ 0,90 e R$ 0,72 conforme o polo de entrega. Para a gasolina, a defasagem média é de R$ 0,29 por litro.

Defasagem dobrou em poucos dias

Antes da intensificação do conflito, a diferença era menor. Em 27 de fevereiro, o diesel estava 12% abaixo da paridade e a gasolina, 3%. Já em 2 de março, a defasagem subiu para 22% no diesel e 17% na gasolina.

Com o Brent acima de US$ 83 e o dólar Ptax (taxa de câmbio usada como referência pelo mercado) em R$ 5,20, segundo o relatório de 3 de março, o descolamento se aprofundou e atingiu o maior nível desde meados de 2023, de acordo com os gráficos históricos apresentados pela associação.

A Abicom também informa que, desde o último reajuste da Petrobras, o preço de paridade de importação (PPI) do diesel acumula alta de R$ 1,02 por litro, enquanto a gasolina acumula elevação de R$ 0,45 por litro.

Pressão sobre a Petrobrás

O cenário coloca pressão sobre a política de preços da Petrobras. Para o presidente-executivo da Abicom, Sérgio Araújo, os reajustes já começaram a ocorrer fora da estatal e devem forçar uma discussão interna na companhia.

“E esses agentes [refinarias privadas] já estão alterando seus preços (…) Então, nós estamos falando aí do diesel, em torno de 35% do diesel consumido no país, ou ele é importado, ou ele é produzido com refinaria privada. E os dois, tanto o importador quanto a refinaria privada, estão reajustando. Independente da ação da Petrobras, a gente vai ter reajuste no preço. Na verdade, já está tendo”, disse ao SBT News.

Para Araújo, a Petrobras tende a ser pressionada a reagir. “A Petrobras vai ter que, em algum tempo, não sei em que momento, mas ao longo dos próximos dias, vai precisar discutir esse assunto e avaliar um reajuste nos seus preços também”, afirmou.

Ele afirma que o impacto para o consumidor já começou. “Mas o impacto para a população, para o consumidor, já é imediato, porque o produto importado e produzido pelas refinarias privadas já vão vir com aumento. Não tem jeito”, destacou.

Sobre a trajetória do petróleo, Araújo avalia que os preços devem permanecer elevados enquanto persistir a tensão geopolítica

“Na minha visão, o preço do petróleo vai ficar flutuando aí entre US$ 80 e 85 [por barril]. (…) Com o tempo, não tendo uma solução para o conflito e o estreito de Hormuz mantido fechado, os estoques de petróleo nos países importadores, como China, Índia e outros, vão caindo e isso vai pressionando o preço. Então, poderá ter uma escalada no preço do petróleo a partir de mais uma semana, 15 dias, dependendo da evolução do conflito”, analisou.

Fonte: SBT News

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