Axia lança ferramenta para oferta de energia no horário de pico

Agregadora auxilia empresas que compram no mercado livre a oferecer excedente para abastecer o sistema nacional

A Axia Energia, ex-Eletrobras, lançou uma ferramenta que permite às empresas do mercado livre oferecer energia nos horários de pico de consumo. A plataforma digital, chamada Agregadora de Resposta da Demanda, disponibiliza a energia para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), encarregado de escolher as fontes mais competitivas para abastecer o Sistema Interligado Nacional (SIN). A ferramenta da Axia utiliza tecnologias do Google Cloud, que ajudou no desenvolvimento do mecanismo.

A agregadora da Axia toma como base o Programa de Resposta da Demanda (RD), criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2022 e que incentiva às empresas a reduzir seu consumo de energia. O que sobra de energia é vendido para o atendimento do SIN. Pelas regras do RD, as empresas do mercado livre com contratos de compra mas que não utilizam o total contratado podem ofertar o excedente ao sistema. Isso evita que o ONS determine a operação de térmicas, que são mais caras e poluentes, para suprir a demanda.

Ítalo de Freitas, vice-presidente de comercialização e soluções em energia da Axia Energia, diz que uma das novidades da ferramenta é permitir que empresas menores acessem o mecanismo do RD. Ele explica que, pela regulação em vigor, as companhias devem ofertar o mínimo de 5 megawatts (MW) para poderem atuar no RD. A plataforma da Axia pode agregar diversas empresas com disponibilidade menor de energia, até atingir o patamar de 5 MW, permitindo a entrada delas no RD.

“Imagine que tenho cinco empresas, cada uma com 1 MW disponível. Eu agrego e posso entrar no leilão do ONS. Esse é o grande pulo do gato”, diz Freitas.

A plataforma funciona como uma espécie de pool de ofertas voluntárias de energia, no qual a Axia atua como facilitadora, dando suporte e representado os consumidores junto ao ONS. Entre os serviços oferecidos, estão o acesso a informações, o cálculo personalizado do potencial de ganho em RD por meio de um simulador, jornada digital simplificada de adesão, definição estratégica de preços a partir da análise das melhores oportunidades, gestão de ofertas e transparência nos resultados.

O trabalho de criação da ferramenta começou entre Axia e Google Clouds em outubro de 2024 e envolveu cerca de 15 pessoas somando as duas empresas. Leonardo Almeida, chefe de energia e utilidades do Google Cloud Brasil, explica que a companhia fez ao longo do processo um trabalho de consultoria, identificando ferramentas que realizam trabalhos semelhantes em diversas partes do mundo.

“Nossa consultoria teve um papel estratégico de apoio. Pensamos em como construir uma arquitetura que fosse escalável e segura para poder operar”, diz Almeida. Ele acrescentou que a agregadora usa tecnologias do Google Cloud que atuam na análise de dados, na simulação do potencial de ganho, na conexão com os agentes do mercado e, em uma próxima fase, na interação com o cliente por meio de um agente conversacional baseado no Gemini, a ferramenta de inteligência artificial do Google.

Freitas, da Axia, lembra que no processo de testes da plataforma a empresa conseguiu vender cerca de 80 MW nos leilões do ONS dentro do RD. O executivo destaca que a próxima etapa é apresentar gradualmente o produto aos mais de 700 clientes da companhia, de forma a ganhar escala.

O executivo destaca que a nova ferramenta é mais um passo para colocar a empresa próxima do consumidor final, seguindo uma tendência aberta pela difusão de novas tecnologias nas últimas décadas, que mudaram os paradigmas de atuação no setor elétrico. “Não somos somente uma empresa de megawatt-hora. Vemos o cliente como um parceiro. Como é que eu gero mais valor para ele e mais valor para o nosso acionista? Obviamente, o cliente precisa da energia do megawatt-hora, mas ele precisa também de serviços, de confiabilidade”, diz Freitas. “Eu dou flexibilidade em cima de uma resposta à demanda. Eu vou ganhar dinheiro e o cliente vai ganhar dinheiro também.”

Fonte: Valor Econômico

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