Ambiente para testes de solar + BESS é inaugurado em Ilha Solteira

CTG Brasil inaugurou na hidrelétrica o Flex BESS, projeto composto por uma UFV de 692 kWp e por um sistema de armazenamento da Huawei com 215 kWh

29/01/2026

A percepção de que a ampliação das fontes renováveis intermitentes na matriz energética demanda o desenvolvimento de soluções que garantam estabilidade, segurança operacional e confiabilidade já apresenta resultados concretos por parte das empresas.

Após a Cemig inaugurar recentemente uma microrrede no município de Serra da Saudade (saiba mais aqui), primeira do gênero do Brasil a unir geração solar e sistemas de armazenamento por bateria (BESS), a CTG Brasil lançou nesta quinta-feira um laboratório para testes de sistema de armazenamento com baterias na hidrelétrica Ilha Solteira, localizada no município paulista homônimo. 

O Flex BESS conta com uma UFV composta por 1.248 módulos, com capacidade instalada de 692 kWp e potencial para suprir o consumo estimado de mais de 380 residências. Associado à usina foi implantado um sistema BESS da Huawei com 215 kWh, para avaliação do comportamento do armazenamento eletroquímico em operações conectadas ao sistema elétrico (foto abaixo).

O projeto foi desenvolvido pela CTG Brasil em parceria com o Instituto Senai de Inovação para Tecnologias da Informação e Comunicação (ISI-TICs) de Pernambuco. Também participam da iniciativa a Thymos Energia e a Wisebyte. O investimento total é de R$ 15 milhões, provenientes de recursos do programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel, da própria empresa, do Senai e de parceiros.

“O armazenamento de energia é hoje um dos principais desafios do setor elétrico e se tornou um pilar essencial para um sistema mais flexível, seguro e eficiente. E as baterias exercem papéis estratégicos nesse contexto: complementam fontes intermitentes, aumentam a estabilidade da rede, viabilizam a oferta de serviços ancilares e ampliam a integração de renováveis”, afirmou Fernanda Martins, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Pesquisa & Desenvolvimento da CTG Brasil, à Brasil Energia

Para ela – na foto acima junto a representantes das outras empresas e entidades parceiras -, investir em conhecimento, pesquisa aplicada e tecnologia é essencial para que o Brasil esteja preparado para essa nova etapa. Nesse sentido, explica que a iniciativa passou por fases de concepção técnica, estudos regulatórios, modelagens computacionais e desenvolvimento da arquitetura de sistemas, culminando na implantação do laboratório como ambiente real de testes.

Fernanda pontua também que o uso de inteligência artificial e softwares inteligentes é uma das frentes mais relevantes nesse tipo de projeto, especialmente para controle de fluxo reverso, otimização de despacho, gestão de carga e descarga, previsão de geração, integração com a rede e eficiência operacional. 

Ainda segundo a executiva, a escolha de Ilha Solteira se deve às condições técnicas e operacionais que a usina oferece: é a sexta maior hidrelétrica do Brasil e a maior do estado de São Paulo, com 3.444 MW de capacidade instalada, estrutura robusta, equipes especializadas e alta integração com o sistema elétrico nacional, o que permite simulações realistas, operação segura e testes contínuos em ambiente real.

“Ao testar soluções em ambiente real, é possível gerar evidências técnicas e econômicas que apoiam novos modelos de negócio, a evolução da regulação e a estruturação de mercados de serviços ancilares, aumentando a flexibilidade, a segurança e a resiliência do sistema elétrico”, explica Fernanda, ressaltando que, neste momento, por se tratar de GD, a energia atende ao consumo da própria CTG Brasil. “O foco do projeto é pesquisa e desenvolvimento, e não comercialização. A energia será injetada na rede da distribuidora local, gerando créditos para as unidades consumidoras da empresa”, complementa.

A CTG Brasil também estuda diversas outras soluções de armazenamento, incluindo usinas reversíveis. “Projetos como o Flex BESS são fundamentais para acelerar a inserção dos sistemas de armazenamento no setor elétrico brasileiro. Os resultados irão gerar evidências técnicas e econômicas que apoiarão novos modelos de negócio e a evolução da regulação”, finaliza a diretora.

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