Empresa ofertará 1,3 bilhão de litros por ano a partir de plantas na Bahia e Maranhão
30/03/2026
A Inpasa deu início na sexta-feira (27) à produção de etanol em sua nova usina em Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Somada à sua outra usina em Balsas (MA), a capacidade de produção da Inpasa no Nordeste supera com folga o volume de etanol que a região importa todo ano dos Estados Unidos. Para a empresa, essa oferta poderá incentivar o consumo do biocombustível pelos motoristas do Nordeste.
A unidade da Inpasa na Bahia tem capacidade para produzir 470 milhões de litros de etanol por ano, enquanto a do Maranhão tem capacidade de 950 milhões de litros, totalizando 1,3 bilhão de litros ao ano.
A planta de Luis Eduardo Magalhães recebeu autorização de operação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De acordo com a empresa, o início da produção no Estado a consolida como a segunda maior produtora de etanol do mundo, atrás da americana Poet, que fabrica etanol de milho.
Em 2025, o Brasil importou 320 milhões de litros de etanol, dos quais 75 milhões de litros atracaram no Nordeste — volume inferior à nova oferta da Inpasa no Nordeste.
“Já conseguimos evitar a importação. O Nordeste agora passa a ter volume de etanol suficiente pra suprir toda a região”, disse Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa. “Chegamos ao Nordeste com o papel de substituir o suprimento feito pela importação do etanol americano. A região era deficitária. Tem uma indústria tradicional, centenária, mas com uma produção aquém do consumo total”, afirmou.
O etanol da Inpasa também deverá diminuir as vendas do etanol de cana que o Centro-Sul costuma fazer ao Nordeste via cabotagem.
Em 2025, o consumo de etanol hidratado e anidro no Nordeste foi de 4,5 bilhões de litros, segundo a ANP. Já a produção das usinas de cana do Nordeste e do Norte deve ficar em 2,5 bilhões de litros. Boa parte dessa diferença foi suprida pela oferta do Centro-Sul.
Segundo o executivo, a Inpasa avalia que sua oferta deverá estimular o consumo regional de etanol hidratado, que era menor do que no Centro-Sul já que a oferta não era suficiente para garantir competitividade nas bombas em relação à gasolina.
“As regiões mais distantes das regiões de oferta sofriam mais com precificação do produto em função do custo. Agora, [com o etanol] próximo, o crescimento do mercado vai ser expressivo. O consumidor baiano está acostumado com o etanol, porque em alguns momentos há uma oferta interessante chegando à região”, afirmou.
A produção de etanol da Inpasa na Bahia deverá ser garantida com o milho e o sorgo cultivados no Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e com biomassas nas regiões próximas, como caroço de açaí do Norte, e resíduos de plantios de eucalipto e braquiárias no Nordeste.
Fonte: Valor Econômico


