Guerra caminha para primeiras negociações de acordo

Encontro entre representantes dos EUA e Irã pode acontecer no Paquistão nos próximos dias, mas Estreito de Ormuz continua fechado e cessar-fogo parece ainda estar longe de ser fechado
23/03/2026

A possibilidade de negociações entre os EUA e o Irã para um cessar-fogo no conflito do Oriente Médio fez os preços do petróleo recuarem abaixo da cotação crítica de US$ 100 o barril, mas o alívio parece ainda demorar. A guerra de narrativas voltou a aumentar, com declarações contraditórias entre os dois países e a continuidade de ataques iranianos a Israel.

O nível de tensão do fim de semana, que subiu com o ultimato de 48h do presidente dos EUA para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, sob a ameaça de sofrer ataques nas suas instalações energéticas, reduziu junto com a cotação do barril, nesta segunda-feira (23), com o adiamento do prazo por mais cinco dias.

Na sua rede social Truth Social, Trump justificou o adiamento com a possibilidade de negociações para o cessar-fogo: “Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio. Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, escreveu.

Mas o Irã negou a existência de qualquer negociação. Na agência de notícias estatal IRNA, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, negou que Teerã tenha mantido negociações com Washington, enfatizando que a posição da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz e as condições para o fim da guerra não mudaram.

“O Irã não teve nenhum contato com Washington desde o início da ofensiva conjunta EUA-Israel no final de fevereiro, nem sua posição sobre o Estreito de Ormuz e as condições para o fim da guerra imposta mudaram, disse Baqaei à agência de notícias estatal IRNA na segunda-feira.

Mas Trump reiterou que os EUA estão negociando, “com uma pessoa importante do Irã”. Uma possibilidade apontada foi a negociação com o atual presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que estaria sendo identificado pelos EUA como um potencial parceiro pós-guerra. As negociações seriam com os enviados especiais dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner, este último genro de Trump.

Outra possível negociação envolveria diretamente o ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e seu homólogo russo, Sergey Lavrov, que nesta segunda-feira discutiram por telefone os últimos desenvolvimentos na região.

No Reino Unido, o premier Keir Starmer confirmou no Parlamento britânico saber das negociações secretas entre os EUA e Irã. As últimas notícias sobre as negociações deram conta de que haverá uma reunião nos próximos dias no Paquistão e quem representará os EUA poderá ser o vice-presidente J.D. Vance e pelo Irã o chanceler Abbas Araghchi.

Opositores de Trump interpretaram os últimos passos do presidente como um recuo da guerra, que já causa enormes prejuízos à economia global e mais especificamente aos países do Golfo Pérsico aliados dos EUA e Israel. O Estreito de Ormuz continua fechado para qualquer transporte que beneficie países ligados aos EUA e Israel.

A participação de Israel nas supostas negociações para o cessar-fogo, no entanto. ainda é uma incógnita. O país foi bombardeado no fim de semana por mísseis iranianos nas cidades de Arad e Dimona, que atingiram alvos civis com centenas de feridos e causou a morte do primeiro militar do país.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que conversou com o presidente Trump sobre algum tipo de acordo que proteja os interesses de Israel, mas prometeu continuar os ataques no Irã e no Líbano.

“O presidente Trump acredita que existe a possibilidade de aproveitar os enormes avanços das Forças de Defesa de Israel (FDI) e do Exército americano para alcançar os objetivos da guerra por meio de um acordo, um acordo que salvaguardará nossos interesses vitais”, disse Netanyahu.

Fonte: Brasil Energia

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