18/03/2026
A contratação de termelétricas mais flexíveis e modernas vai ajudar a reduzir o custo final do leilão de reserva de capacidade (LRCap) ao consumidor, segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Gustavo Ataíde.
O certame realizado nesta quarta-feira, 18 de março, contratou 18.977 MW de potência, envolvendo investimentos da ordem de R$ 64,5 bilhões, ao preço médio de R$ 2.334.731 por MW ao ano, com deságio médio de 5,52%. Ao todo, foram contratados cerca de 16,7 GW em termelétricas e 2,3 GW em ampliação de hidrelétricas, considerando a potência disponibilizada.
As usinas vencedoras terão direito a um total de R$ 38, 9 bilhões em receita fixa por ano. A receita total a ser paga às usinas ao longo da concessão soma R$ 515,7 bilhões.
“Temos um parque termelétrico sobretudo com contratos antigos, que carregam inflexibilidade, unit commitment, requisitos operativos defasados, e que agora será substituído e isso terá um impacto muito agressivo na tarifa do consumidor”, disse Ataíde, durante a entrevista coletiva após o encerramento do certame.
Segundo o secretário, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgará em breve um estudo com detalhes do impacto da recontratação dessas usinas, considerando os ganhos aos consumidores resultantes da maior flexibilidade operativa e contratual das termelétricas.
Além disso, as termelétricas existentes deixarão de ser contratadas apenas com as distribuidoras e passarão a ser remuneradas via encargo por consumidores livres e cativos, tirando o peso da tarifa residencial.
“As estimativas iniciais apontam que a substituição do parque existente pode provocar uma economia de 24% ao consumidor de energia elétrica. De fato, a substituição por usinas flexíveis com rampas, tempos de operação e de desligamento encurtados, mais eficientes, terá sim impacto relevante para o consumidor de energia elétrica”, destacou Ataíde.
Alexandre Ramos, presidente do conselho da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), destacou benefícios da contratação. “É importante também levar em consideração os R$ 64,5 bilhões em investimentos, que refletem o aquecimento da indústria, e os R$ 33,6 bilhões em economia”, afirmou.
Dos cerca de 19 GW contratados hoje, 46% correspondem a usinas termelétricas novas, 13% à expansão de hidrelétricas e o restante a usinas termelétricas existentes.
O presidente da EPE, Thiago Prado, explicou que as usinas inflexíveis em operação hoje são ineficientes, então a troca vai ajudar também na operação dos vales de carga e nos picos de consumo.
Segundo Prado, mesmo se não houvesse nenhum deságio no leilão de hoje, haverá um benefício da ordem de R$ 6 bilhões ao ano, por causa da troca dessas usinas.
Fonte: MegaWhat



