Órgão fiscalizou US$ 21,7 bilhões nos contratos da estatal do PE 2024-2028, analisando desempenhos de eficiência entre plataformas próprias e afretadas, dados de emissões de poluentes em plataformas em operação e indicadores para avaliar decisões nos modelos de contratação
18/03/2026
O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma auditoria para analisar como a Petrobras contrata e opera os FPSOs. A auditoria analisou o Plano Estratégico 2024-2028, que prevê a contratação de 14 unidades.
Dos contratos analisados, o TCU fiscalizou US$ 21,7 bilhões. Durante a análise, foram identificadas diferenças de desempenho entre navios-plataforma operados pela Petrobras, comparando unidades próprias e afretadas, com possíveis reflexos no cumprimento das metas de produção e de emissões de CO2 da companhia.
Entre 2014 e 2024, as duas unidades apresentaram eficiência semelhante, com o índice de eficiência produtiva chegando a 76%. No entanto, as plataformas próprias da estatal registram 20% acima da média geral em sua produção, enquanto as afretadas ficaram abaixo em 17%, permanecendo na maior parte do período com desempenho inferior.
Mesmo com este resultado, houve aumento da diferença entre a produção potencial e a produção efetivamente obtida nas plataformas próprias, que chegou a cerca de 22%. Como a produção potencial considera fatores geológicos dos campos, o resultado indica possível perda de eficiência operacional dessas unidades ao longo do tempo.
A Petrobras deverá elaborar estudos com o objetivo de identificar eventuais declínios de produção nos FPSO próprios e possíveis medidas de recuperação aos níveis planejados.
Emissões de poluentes e indicadores para avaliar decisões nos modelos de contratação
A auditoria do TCU analisou dados de emissões de poluentes das plataformas em operação, e a média observada nos últimos dez anos foi de 16,74 kg/boe, acima da meta de até 15 kg/boe estabelecida pela Petrobras em seu Plano de Negócios 2025-2029.
Segundo o que foi fiscalizado, a meta pode ser alcançada, levando em conta que os FPSO mais modernos já operam abaixo do nível máximo de emissões estabelecido.
Um terceiro ponto analisado foi como a Petrobras utiliza indicadores para avaliar e orientar decisões relacionadas aos modelos de contratação e operação dos FPSOs (próprias, afretamento ou por built, operate and transfer (BOT)).
De acordo com o órgão, a falta de análises estatísticas mais estruturadas pode limitar a capacidade de avaliar, com maior precisão, o comportamento e o desempenho das plataformas ao longo do tempo. O não uso dessa estatística pode dificultar a identificação de padrões, tendências ou diferenças relevantes entre modelos de contratação e operação.
A recomendação é que a Petrobras implemente procedimentos de análise preditiva, a exemplo de algoritmos baseados em aprendizado de máquina, para que sejam feitas análises de risco sobre os possíveis resultados dos processos licitatórios de FPSO e outros empreendimentos. O objetivo da medida é fortalecer a base técnica das decisões e aprimorar o acompanhamento do desempenho das unidades de produção ao longo do tempo.
Fonte: Brasil Energia



