Por pressão de Trump, UE pode ajudar EUA a liberar Ormuz

A chefe de política externa da organização, Kaja Kallas, disse que conversou com a ONU sobre a possibilidade de se replicar para o Estreito de Ormuz o acordo de transporte de grãos que foi feito durante a guerra da Ucrânia
16/03/2026

Por pressão intensa do presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, os países europeus poderão se envolver no conflito do Oriente Médio para forçar o Irã a reabrir o transporte de navios no Estreito de Ormuz sem restrições. Nesta segunda-feira (16), Trump afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, vai anunciar a lista de países que formarão uma coalizão para manter a passagem aberta.

Ao chegar em Bruxelas para uma reunião com ministros de Relações Exteriores da UE, a chefe de política externa da organização, Kaja Kallas, em Bruxelas, disse que conversou com o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, sobre a possibilidade de replicar o acordo da Iniciativa de Grãos do Mar Negro, firmada em julho de 2022 entre Ucrânia, Rússia, Turquia e ONU, que permitiu a exportação segura de mais de 30 milhões de toneladas de alimentos ucranianos por corredores marítimos.

Segundo Kallas, o fechamento de Ormuz é “realmente perigoso” para o fornecimento de energia para a Ásia, mas também um problema para a produção de fertilizantes, que e faltar esse ano, provocará falta de alimentos no próximo ano. 

Ela também informou que a UE também porá analisar a possível extensão do mandato da missão naval da UE no Oriente Médio, a Aspides, que atualmente se concentra na proteção de navios no Mar Vermelho contra o grupo rebelde Houthi do Iêmen.

A resistência dos países ainda é grande, com Alemanha, Espanha, Itália, Grécia e Reino Unido repetindo ao longo do dia que não participarão da guerra. O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, questionou o pedido de ajuda de Trump aos países: “O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos”, disse Pistorius.

Mas a estratégia de Trump é alertar os países que dependem muito mais do petróleo transportado por Ormuz do que os EUA. No domingo, em entrevista ao Financial Times, ele cobrou em tom de ameaça a ajuda aos países europeus e também asiáticos, incluindo a própria China, aliada histórica do Irã.

Mas hoje preferiu destacar a dependência energética dos países. “Encorajamos veementemente outras nações cujas economias dependem muito mais dessa passagem do que a nossa. Obtemos menos de 1% do nosso petróleo pelo Estreito”, disse Trump. “China, países europeus e Coreia do Sul: Alguns países obtêm muito mais. O Japão obtém 95%, a China 90%, muitos europeus obtêm uma quantidade considerável. A Coreia do Sul obtém 35%, então queremos que eles venham nos ajudar com o Estreito”, disse Trump.

No fim de semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que o Estreito de Ormuz está aberto para o trânsito internacional, exceto para navios e petroleiros dos Estados Unidos, Israel e seus aliados, nações que descreveu essas nações como “inimigos” que atacam o Irã.

A guerra deflagrada pelos EUA e Israel contra o Irã entra na sua terceira semana com o nível de tensão em alta, sustentando o preço do barril de petróleo tipo Brent acima dos US$ 100. 

Israel e Irã continuaram bombardeios estratégicos entre os dois países e alvos em países aliados, como os Emirados Árabes, que sofreram novo ataque no aeroporto de Dubai, abalando ainda mais a imagem de região segura para o turismo de luxo.

No domingo, o serviço de emergência de Israel registrou atendimento a pessoas atingidas por fragmentos de mísseis na região da cidade velha de Jerusalém, próximo a lugares sagrados para diferentes religiões. Israel fez ataques a várias cidades iranianas e anunciou que tinham destruído um centro de mísseis do Irã e as primeiras incursões terrestres no sul do Líbano.

Fonte: Brasil Energia

OUTROS
artigos