Produção dos EUA crescerá com alta do preço do petróleo

Os preços maiores da commodity, causada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, sustentam a atividade de perfuração nos EUA. Segundo a EIA, esse cenário acelera a entrega de 13,8 milhões de bpd em 2027

13/03/2026

A produção bruta de petróleo dos EUA pode aumentar a partir da alta nos preços do petróleo, estima a Energy Information Agency (EIA). 

Segundo o último Short Term Energy Outlook, a expectativa é que a produção em 2026 seja de 13,6 milhões de bpd, mantendo-se estável em relação a última previsão, e a de 2027 seja de 13,8 milhões de bpd, aumento de 3,7% desde a previsão anterior (13,3 milhões de bpd).

A EIA espera que os preços do petróleo West Texas Intermediate (WTI) cheguem a US$ 74/b em 2026 e US$ 61/b em 2027. Nesse caso, as mudanças de petróleo demoram a afetar a produção, sendo somente em 2027 que é visto o crescimento dos volumes. 

“Os preços mais altos sustentam o aumento da atividade de perfuração na maioria das bacias, e a expansão da capacidade de gasodutos na região do Permiano permite que mais gás natural associado seja levado ao mercado, apoiando ainda mais as operações direcionadas ao petróleo”, explicou a agência no relatório. 

Os preços do petróleo Brent podem estar altos no segundo trimestre de 2026, na média de US$ 91/b, a partir das interrupções do fluxo no Estreito de Ormuz, as paralisações de produção e um prêmio de risco persistente. 

Quando o fluxo for restabelecido no Estreito, a EIA espera que a produção de petróleo continue sendo maior que a demanda, resultando em aumento nos estoques globais de petróleo, sendo 1,9 milhão de bpd em 2026 e 3 milhões em 2027. “O aumento dos estoques de petróleo voltará a pressionar os preços do petróleo, e esperamos que o preço do Brent caia para uma média de US$ 70/b no 4º trimestre de 2026 e US$ 64/b em 2027”, prevê a EIA. 

Quando se fala sobre alta na produção de petróleo, também pode-se observar uma maior produção de gás natural. Em 2026, os volumes de gás serão de 121 bilhões de pés cúbicos/d, maior em 2% em relação a 2025; em 2027, a alta será de 3%, alcançando 124 bilhões de pés cúbicos/d.

Segundo a EIA, os preços altos do petróleo impulsionarão mais perfurações na Bacia do Permiano, o que contribuirá para maiores volumes de gás natural associado. 

Além disso, a agência espera que os preços do gás sejam pouco impactados com a redução dos fluxos de GNL pelo Estreito de Ormuz, diferente do que ocorreu com os preços na Europa e na Ásia. Para 2026, o preço do Henry Hub ficará em US$ 3,80 por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu). Em 2027, ficará por US$ 3,90 MMBtu, devido a maior produção de gás. 

Em um relatório especial da Rystad Energy, divulgado na quarta-feira (11), a relação demonstrada entre o impacto da redução do fluxo de GNL e os preços do Henry Hub são consistentes com a previsão da EIA. 

A consultoria mostra que, até o momento, não há alterações nos fluxos de gás de alimentação dos EUA. “Quando a capacidade de GNL dos EUA estiver totalmente utilizada, o que a economia sempre suportará em cenários sem recessão, a relação entre o Henry Hub e os preços globais do GNL se enfraquece, com potencial limitado de alta na demanda por gás de alimentação, mesmo com o déficit de 77 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de GNL do Catar”.

Em um cenário que o fornecimento do Catar fique interrompido por mais tempo, o GNL norte-americano poderá ter aumento anual de 5% a 10%. E mesmo que as empresas operem dentre este percentual, nos próximos dois meses, a Rystad Energy prevê que o impacto nos preços será leve, já que a produção robusta e o amplo armazenamento limitarão o crescimento dos preços no curto prazo. 

Majors devem investir em projetos de GNL fora do Catar e Emirados Árabes Unidos

Neste mesmo relatório, a Rystad aponta que as majors devem investir em projetos de GNL em outras regiões, uma vez que a continuidade da guerra entre EUA, Israel e Irã pode impedir o crescimento idealizado destas empresas na produção da molécula no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. 

“Em um cenário de conflito prolongado, a discussão sobre o portfólio de GNL pode se voltar para a aceleração de projetos pré-FID dentro dos portfólios existentes das grandes empresas ou outras oportunidades em estágio inicial para mitigar potenciais perdas de fornecimento”, explicou a consultoria.    

As majors (ExxonMobil, Shell, TotalEnergies, Eni, bp e Chevron) projetam até o final de 2030 um crescimento de aproximadamente 58 milhões de toneladas por ano no volume total de vendas, maior em 26% frente a 2025. 

Juntando o portfólio de todas, seus projetos no Catar e Emirados Árabes Unidos têm potencial de crescer a produção de GNL em 12 milhões de toneladas por ano até o final da década, o que é uma alta de 66% sobre a produção de GNL delas visto em 2025 na região.

Entre os projetos em que as majors podem voltar seus olhos para diversificar o portfólio e acelerar o crescimento em outras áreas, estão o Mozambique LNG, com desenvolvimento em andamento e pode iniciar operação antes de 2030 se não houver atrasos na execução. 

Também, há projetos que estão perto da decisão final de investimento (FID), como o Rovuma LNG, Papua LNG e Tanzania LNG. “Em qualquer caso, o aprofundamento da crise em Hormuz pode fornecer o impulso necessário para levar outros projetos globais de GNL à conclusão”, disse a Rystad.

Fonte: Brasil Energia

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