12/03/2026
A Vibra Energia manterá o objetivo de atingir break-even na Comerc Energia, com a meta de transformá-la em uma operação “extremamente eficiente e com geração de caixa”. No entanto, Ernesto Pousada, CEO da companhia, não vê margem para alcançar esse objetivo em 2026 devido aos níveis elevados de curtailment, termo utilizado para cortes na geração.
No último trimestre de 2025, o portfólio solar de geração centralizada da Comerc atingiu disponibilidade média de 98%, com geração efetiva, desconsiderando o curtailment e o impacto de recurso, equivalente a 100% do P50. O volume total dos cortes foi de 217 GWh (24% do P50), valor 60,4% superior ao quarto trimestre de 2024, quando a empresa registrou 135 GWh (eólica + solar) de constrained-off. A compra de energia gerou um custo de R$ 67,1 milhões no último trimestre de 2025, alta de 77%.
A meta de atingir o break-even é mencionada desde 2025, mas, diante dos desafios operacionais, o executivo considera mais factível alcançar o objetivo em 2027. Segundo ele, a Vibra tem “ambições maiores em termos de cash flow” para a Comerc em relação ao ano passado.
“Reduzir o capital de giro será um foco grande, não que não tenha sido, mas ainda maior da companhia na busca de mais eficiência e geração de caixa. Mas é óbvio que não dá para ter melhorias expressivas todos os trimestres. Chegar ao break-even de geração de caixa do free cash flow da Comerc é o nosso esforço e, obviamente, estamos sempre olhando e buscando oportunidades, mas neste momento não temos nada além disso para comentar sobre a Comerc”, disse durante teleconferência da Vibra para apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025.
Impacto do Oriente Médio
A escalada do conflito no Oriente Médio não gerou, até o momento, impactos para a Vibra Energia, que possui estoque suficiente para atender seus clientes. Segundo Pousada, o mercado tem uma dinâmica que muda rapidamente, mas a empresa seguirá com a importação de óleo diesel nos próximos meses.
Ele afirmou ainda que os níveis de estoque de diesel estão semelhantes aos verificados em meses anteriores e que os preços firmados para a compra do produto serão repassados ao mercado interno.
“Estamos absolutamente tranquilos do ponto de vista de abastecimento da nossa rede de clientes. O nosso nível de estoque está absolutamente adequado. Seguimos realizando importações para os próximos meses e, obviamente, isso ocorre por meio de hedging ou via custos, e vamos repassar nos preços todo o mix do que vem de importado, que é uma proporção muito menor do que temos no mix total da Petrobras”, comentou o executivo.
Segundo Pousada, o ano de 2026 começou com alta disponibilidade de diesel. A empresa perdeu market share após a saída de alguns clientes não recorrentes e tem optado por priorizar a otimização dos resultados e o crescimento estrutural da rede embandeirada.
Expansão em lubrificantes e postos
O executivo também afirmou que existe um momento favorável para ampliar a rede de postos embandeirados da companhia, diante do maior interesse de postos independentes em firmar contratos com a marca.
Os contratos seguem com prazos médios entre três e cinco anos, padrão que, segundo o executivo, não sofreu mudanças relevantes nos últimos anos. A estratégia inclui priorizar o abastecimento de clientes contratados e fortalecer o relacionamento com a rede existente.
Ernesto Pousada acrescentou que a empresa pretende expandir sua atuação internacional no segmento de lubrificantes na América do Sul, com avanço gradual em outros mercados, aproveitando o reconhecimento da marca Lubrax em países como Argentina, Chile e Paraguai. A estratégia prevê expansão por meio de parcerias com fabricantes ou distribuidores que complementem o portfólio da companhia.
Fonte: MegaWhat



