Reservas diretas mantêm estabilidade no mercado hoteleiro em 2025

04/02/2026

Impulsionado por mudanças no comportamento do viajante e pela consolidação de novos hábitos de consumo, o mercado hoteleiro global apresenta sinais de maior estabilidade em 2025. Mesmo com o avanço da IA (Inteligência Artificial) e o fortalecimento das plataformas intermediárias na fase de pesquisa, as reservas diretas seguem como um dos principais pilares de receita dos hotéis, segundo novo relatório da SiteMinder.

De acordo com o levantamento anual Hotel Booking Trends, as reservas diretas permaneceram estáveis ao longo de 2025. O estudo, publicado pelo Phocuswire, mostra que a participação desse canal na receita variou até 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior em 95% dos mercados analisados — contrariando previsões de que a IA poderia afetar positiva ou negativamente esse desempenho.

“Os padrões de busca dos viajantes estão evoluindo, com a IA e as OTAs ganhando espaço na fase de pesquisa, mas as reservas diretas continuam estáveis”, destaca o relatório, baseado em dados de mais de 130 milhões de reservas em 20 mercados e em respostas de 700 hoteleiros.

O estudo aponta ainda que hotéis que seguem investindo na otimização de seus sites, na presença em metabusca e em experiências de reserva mais fluidas continuam registrando maior engajamento dos hóspedes e tíquetes médios mais elevados. “A chave está em preservar esses fundamentos, ao mesmo tempo em que se acompanham de perto as mudanças emergentes”, ressalta o documento.

Os sites próprios dos hotéis registraram o maior valor médio por reserva, de US$ 516, impulsionado pela venda de categorias superiores, estadias mais longas e serviços adicionais. Em comparação, os atacadistas alcançaram uma média de US$ 445 por reserva, os sistemas globais de distribuição (GDS), US$ 392, e as OTAs, US$ 312.

Insights

O Expedia Group foi apontado como o principal canal gerador de receita na América do Norte, liderando os resultados nos Estados Unidos, Canadá e México — a primeira vez desde 2020 — e retomando a liderança nos EUA pela primeira vez desde 2021. O Trip.com apresentou crescimento em diversos mercados, enquanto o Agoda se destacou especialmente nas Filipinas e em Taiwan. Já as plataformas indianas Goibibo e MakeMyTrip avançaram em países como Tailândia e Malásia.

A demanda por viagens na Ásia também cresceu em 2025, com o turismo emissivo da China e da Índia superando, pela primeira vez, os níveis pré-pandemia. “A Ásia está remodelando o turismo global, com projeções indicando que a região concentrará 3,5 bilhões de consumidores de classe média até 2030 — quase dois terços do total mundial”, aponta o relatório.

Dados adicionais da SiteMinder indicam que os viajantes passaram a cancelar menos suas reservas, com a taxa média recuando 19,15%. Além disso, as viagens passaram a ser planejadas com maior antecedência, com média de 32,15 dias entre a reserva e o check-in.

O tempo de permanência também apresentou leve crescimento em relação ao ano anterior, com 27% das reservas registrando estadias de duas noites ou mais em 2025. As diárias médias avançaram em 14 dos 20 mercados analisados, com a média global atingindo US$ 194. A Áustria registrou o maior aumento médio, de US$ 15.

“Esses resultados indicam que a indústria de viagens encontrou um ritmo mais consistente após anos de mudanças em larga escala”, afirma James Bishop, vice-presidente de Ecossistema e Parcerias Estratégicas da SiteMinder. “Os viajantes estão reservando com mais antecedência, cancelando menos e distribuindo melhor suas estadias ao longo do ano, enquanto as tarifas seguem em alta na maioria dos mercados. Para os hotéis, isso representa estabilidade e oportunidade — desde que tenham acesso a dados e ferramentas que permitam reagir às mudanças de demanda em tempo real, e não semanas ou meses depois.”

Fonte: Hotelier News

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