Segundo a Rystad Energy, continente africano responderá por cerca de 40% dos poços exploratórios de alto impacto planejados, impulsionados principalmente pela Margem Atlântica, com a exploração concentrada na Bacia de Orange e no Golfo da Guiné
02/02/2026
O setor de exploração e produção deve manter um forte ritmo em 2026, com a expectativa de que a atividade de perfuração exploratória de alto impacto permaneça elevada após um sólido ano de 2025, com a África liderando a atividade global, segundo relatório da Rystad Energy.
A consultoria estima que a perfuração exploratória de alto impacto, classificada desta forma com base em fatores como tamanho dos recursos potenciais, possibilidade de abertura de novas áreas de exploração em bacias de fronteira ou emergentes e sua importância para a empresa operadora, registre neste ano 42 poços desse tipo identificados globalmente.
De acordo com o relatório assinado pelo Chefe de Exploração, Pesquisa de O&G, Aatisha Mahajan e pelo analista Sênior de Pesquisa de O&G Anurag, o continente africano responderá por cerca de 40% dos poços exploratórios de alto impacto planejados, impulsionados principalmente pela Margem
Atlântica, com a exploração concentrada na Bacia de Orange, no sul da África, e no Golfo da Guiné, na África Ocidental.
No ano passado, a taxa de sucesso para poços exploratórios de alto impacto subiu para 38%, ante 23% em 2024, enquanto o volume total descoberto aumentou 53% em relação ao ano anterior, chegando a cerca de 2,3 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), de acordo com a pesquisa e análise da Rystad Energy.
A previsão da Rystad Energy para poços de alto impacto em 2026 aponta para uma clara concentração na exploração em águas ultraprofundas e em áreas de fronteira. Os poços em águas ultraprofundas representam cerca de 60% das perfurações planejadas, com as grandes empresas petrolíferas liderando essas atividades, seguidas pelas empresas petrolíferas nacionais (NOCs) e pelas empresas petrolíferas nacionais internacionais (INOCs), que juntas representam 26%.
A maioria dos poços deverá ter como alvo regiões de fronteira, enquanto aproximadamente 5% se concentrarão em bacias com descobertas anteriores que podem se desenvolver em áreas de alta produção de hidrocarbonetos, e outros 5% testarão novas formações. A África deverá desempenhar um papel central, com todas as perfurações em terra de alto impacto em 2026 previstas para ocorrer no continente, com exceção do poço recentemente anunciado na Groenlândia, que testará a fronteira da Terra de Jameson.
“O que estamos observando em 2026 é uma mudança clara em relação a onde as operadoras estão dispostas a investir capital. As explorações em águas ultraprofundas e em áreas de fronteira continuam exigindo grande investimento de capital, mas também oferecem escala e potencial de crescimento significativo em um momento em que as oportunidades convencionais estão cada vez mais limitadas. A África se destaca por ainda combinar potencial geológico com a perspectiva de grandes descobertas comercialmente relevantes, especialmente para operadoras que buscam garantir recursos de longa duração em um cenário de oferta global cada vez mais restrita”, afirmou Aatisha Mahajan.

O relatório da Rystad mostra que fora da África, a Ásia responde por oito poços de alto impacto, liderada pela Indonésia com quatro, seguida pela Índia e Malásia com dois cada. Entre 2021 e 2025, Índia, Malásia e Indonésia concederam a maior parte das novas áreas da região, cada uma com mais de 200.000 km², impulsionadas principalmente por blocos offshore.
Em contrapartida, Cazaquistão, Paquistão e China dominaram as concessões em terra, refletindo o cenário fragmentado da exploração na Ásia, onde as estratégias variam entre campos offshore e onshore, em vez de seguir uma abordagem única para todos.
Entre as operadoras, ONGC, Petronas, Oil India, Mari Petroleum e Petro Matad garantiram as maiores áreas de concessão nesse período, posicionando-as para liderar as atividades de exploração de alto impacto nos próximos anos.
De acordo com a Rystad, na última década, a Ásia registrou aproximadamente 18 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em descobertas de hidrocarbonetos convencionais, com o gás representando cerca de 62% do volume total. Os volumes de descoberta têm sido altamente concentrados, com a maioria dos acréscimos desde 2016 provenientes de um pequeno grupo de países: China, Malásia, Indonésia e Vietnã.
A consultoria observa que embora a Ásia continue sendo uma região fundamental para a exploração de hidrocarbonetos, as oportunidades estão cada vez mais concentradas em áreas já estabelecidas, sugerindo que um novo crescimento de alto impacto provavelmente dependerá da exploração de bacias menos maduras ou de campos tecnicamente mais desafiadores.
O ano de 2025 se apresenta até o momento como o ano mais fraco da última década no continente em termos de novos volumes adicionados, com o total de descobertas girando em torno de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), informa a consultoria, acrescentando que o petróleo dominou os volumes adicionados durante o ano, principalmente devido às descobertas de Megah, na Malásia, e Hai Su Vang, no Vietnã.
As descobertas em alto-mar representaram aproximadamente 83% dos volumes adicionados em 2025, com a maior parte proveniente dos principais países produtores da região. Espera-se alguma revisão para cima dos totais de 2025 à medida que novas informações forem disponibilizadas.
No Ocidente, segundo a Rystad, o desempenho da exploração na América do Norte enfraqueceu desde 2022, com a queda nos volumes descobertos anualmente, que sequer conseguiram atingir a mínima da década anterior, de 750 milhões de barris de óleo equivalente (boe), registrada em 2018.
As descobertas no Canadá e no México praticamente estagnaram, deixando o Golfo da América, nos EUA, como a principal fonte de novos volumes, onde as descobertas recentes continuam concentradas em petróleo e em bacias maduras e amplamente exploradas. Em 2025, o total de descobertas caiu para cerca de 238 milhões de barris, com o México contribuindo com três descobertas, totalizando aproximadamente 68 milhões de barris, e o Golfo da América, nos EUA, com quatro descobertas, totalizando cerca de 170 milhões de barris.
A Rystad analisa que, em geral, essa dependência contínua de bacias maduras, juntamente com o declínio no volume de descobertas, aponta para um potencial limitado de crescimento da exploração convencional na América do Norte. Sem acesso a novas áreas de exploração ou uma melhoria significativa no sucesso exploratório, a região provavelmente continuará sendo definida por adições incrementais, com foco em petróleo, em vez de descobertas que mudem o cenário.
Fonte: Brasil Energia



