Relatório da BloombergNEF (BNEF) aponta que foram investidos US$ 2,3 trilhões em 2025 em todo o planeta, uma alta de 8% ante 2024
30/01/2026
O investimento global em transição energética alcançou US$ 2,3 trilhões em 2025, uma alta de 8% em relação ao ano anterior, o que representa um novo recorde, de acordo com relatório anual ‘Energy Transition Investment Trends (ETIT)’, produzido pela BloombergNEF (BNEF). Apesar do crescimento no valor total, o investimento em energias renováveis apresentou queda de 9,5% na comparação anual, após introdução de incertezas por mudanças regulatórias no mercado de energia na China, o maior do mundo.
O relatório mostra que os principais componentes desse investimento foram transporte eletrificado (US$ 893 bilhões), energias renováveis (US$ 690 bilhões) e investimento em redes elétricas (US$ 419 bilhões). Com exceção do segmento de energias renováveis, todos os demais setores acompanhados pela BNEF registraram aumento nos níveis de investimento, com exceção do hidrogênio (US$ 7,3 bilhões) e da energia nuclear (US$ 36 bilhões).
O relatório aponta que o investimento em oferta de energia limpa também superou o investimento em oferta de combustíveis fósseis pelo segundo ano consecutivo em 2025, com a diferença se ampliando para US$ 102 bilhões, ante US$ 85 bilhões em 2024.
Enquanto o investimento em energia limpa – que inclui renováveis, nuclear, captura de carbono, hidrogênio, armazenamento de energia e redes elétricas – continuou a crescer, o investimento na oferta de combustíveis fósseis caiu pela primeira vez desde 2020, recuando US$ 9 bilhões em relação ao ano anterior. Essa queda foi impulsionada principalmente pela redução dos gastos com exploração e produção de petróleo e gás (-US$ 9 bilhões) e geração de energia fóssil (-US$ 14 bilhões), embora parcialmente compensada por investimentos mais elevados em gás e carvão.
Liderança da Ásia-Pacífico
A região da Ásia-Pacífico permaneceu como líder em volume de investimentos, respondendo por 47% do total global em 2025. A China continua liderando o investimento total, mas registrou sua primeira queda no financiamento de energias renováveis desde 2013. O investimento na Índia subiu 15%, para US$ 68 bilhões.
A União Europeia superou os desafios e cresceu 18%, para US$ 455 bilhões, sendo a maior contribuição para o aumento global. O investimento nos Estados Unidos também registrou alta de 3,5%, para US$ 378 bilhões, apesar das medidas do governo Trump para desacelerar a transição energética.
“O último ano demonstrou que, apesar dos desafios de política pública e comércio, a transição energética global é resiliente e oferece diversas oportunidades para investidores. À medida que muitas economias buscam fortalecer a segurança energética e desenvolver cadeias de suprimentos domésticas, o investimento em energia limpa continuará crescendo, impulsionado especialmente pela expansão global de data centers”, explicou Albert Cheung, vice-CEO da BloombergNEF.
O investimento na cadeia de suprimentos de energia limpa – que inclui gastos com novas fábricas de produtos de tecnologia limpa, além de ativos de produção de metais para baterias – cresceu 6% em 2025, alcançando US$ 127 bilhões. Esse valor reflete o montante de fábricas comissionadas em 2025 para equipamentos solares, baterias, eletrolisadores e energia eólica, além de minas e instalações de processamento de metais para baterias. O crescimento em 2025 foi impulsionado, em grande parte, pelo aumento dos investimentos em fabricação de baterias e materiais associados.
Pressão do excesso de oferta
O excesso de oferta continua pressionando todos os setores da cadeia de suprimentos de energia limpa. Assim, embora o investimento total siga em alta, espera-se que a pressão baixista sobre os preços de produtos de tecnologia limpa persista.
A China continua respondendo pela maior parte do investimento global na cadeia de suprimentos de tecnologias limpas. A BNEF espera que essa situação se mantenha por pelo menos os próximos três anos.
As empresas de climate-tech captaram US$ 77,3 bilhões em investimentos públicos e privados ao longo de 2025, alta de 53% em relação ao ano anterior e o primeiro ano de crescimento após três anos consecutivos de queda. Esse aumento foi liderado por empresas de energia limpa, armazenamento de energia e transporte de baixo carbono.
A atividade em investimentos públicos se recuperou e impulsionou esse crescimento, principalmente devido a transações bilionárias na Ásia, enquanto o financiamento de capital de risco para startups caiu pelo terceiro ano consecutivo. Além disso, a atividade de fusões e aquisições permaneceu forte, encerrando 2025 com US$ 99,1 bilhões em deals concluídos, alta de 37% em relação ao ano anterior. Esse crescimento pode ser atribuído às aquisições de empresas dos setores de energia limpa e edifícios, impulsionadas pela expansão global de data centers.
O relatório também constatou que a emissão de dívida voltada à transição energética totalizou US$ 1,2 trilhão em 2025, alta de 17% em relação a 2024. Esse aumento foi impulsionado pelo crescimento dos fluxos de financiamento corporativo e de projetos, ambos com alta de 20%, compensando a queda nas emissões de dívida governamental, à medida que emissões rotuladas foram reduzidas em setores de transição mais maduros, como o de energias renováveis.
Fonte: Brasil Energia



