Curtailment abrangeu 20% da energia gerada em 2025

Volt Robotics mostra que o sistema elétrico operou em 16 ocasiões no limite inferior de segurança no ano passado

O Brasil descartou, ao longo de 2025, 20% de toda a energia produzida por usinas eólicas e fotovoltaicas por meio do curtailment. Durante o ano, o sistema elétrico do país operou por 16 dias próximo do limite inferior de segurança por excesso de oferta, muito mais que no ano anterior, quando foi registrado apenas um dia crítico.

As informações, que ilustram as desafiadoras condições de operação do sistema elétrico brasileiro, são parte do Balanço Anual do Curtailment, elaborado pela empresa de consultora Volt Robotics.

Segundo o levantamento, os cortes de geração solar e eólica totalizaram 4.021 MW médios, o que representou perdas estimadas de forma conservadora em R$ 6,5 bilhões. As usinas que sofrem o curtailment têm sido proibidas de gerar energia durante o dia, sobretudo durante as manhãs, quando a geração solar é intensa.

O número de cortes foi maior nos meses de agosto, setembro e outubro, quando, segundo a consultoria, “em vários episódios, o Brasil descartou em poucas semanas volumes de energia equivalentes à geração mensal de grandes usinas hidrelétricas. Era como assistir a uma Itaipu sendo desligada, não por falta de água, mas por excesso de sol e vento”.

Os cortes diminuíram em novembro e dezembro como decorrência de fatores naturais, como a transição da chamada “safra dos ventos”, além de ajustes operacionais pontuais. Trata-se, contudo, de alívio conjuntural, segundo a empresa de consultoria. O risco reaparece sempre que há a combinação de baixa carga com elevada geração de fontes renováveis.

A Volt Robotics destaca que um dos pontos mais impressionantes da operação do sistema elétrico em 2025 foram os 16 dias em que houve um risco elevado de apagão ou intercorrências graves devido ao excesso de energia renovável. Essas ocorrências são indicativos claros de uma transformação estrutural do setor, em que a estrutura do sistema elétrico não acompanhou a expansão das fontes solar e eólica. 

Para o enfrentamento dessas situações, o ONS estabeleceu, com apoio da Aneel, um plano emergencial que envolve o corte de geração até de usinas do tipo III – as pequenas usinas conectadas à rede de distribuição.

O levantamento também mostra que as tranquilas manhãs dos domingos se transformaram em momento de estresse para os operadores do SIN. Nesses momentos, quando o comércio e os escritórios estão fechados e a indústria desacelera, reduzindo a demanda por energia, a produção de energia fotovoltaica e eólica estão em níveis elevados.

Essa combinação resulta em excesso de energia, com os limites do sistema elétrico sendo atingidos, obrigando o operador a realizar os cortes. Várias das 16 situações críticas de 2025 ocorreram nesses momentos.

Outra constatação importante do trabalho realizado pela Volt é que os R$ 6,5 bilhões de perdas registrados com os cortes de geração no ano passado envolvem o mercado cativo e o mercado livre de energia. No caso do mercado regulado, quando ocorrem os cortes, os empreendedores perdem receita e pagam penalidades. Quando há cortes no mercado livre, os empreendedores têm que entregar a mesma quantidade de energia contratada e ficam expostos ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

https://brasilenergia.com.br/energia/operacao/curtailment-abrangeu-20-da-energia-gerada-em-2025-diz-consultoria

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