Eni e Repsol tentam recuperar US$ 6 bi em pagamentos da Venezuela por gás

As duas empresas são donas em conjunto do campo de gás Perla, na costa venezuelana

Duas das maiores produtoras de fontes energia da Europa vêm tendo dificuldade para recuperar pagamentos em torno a US$ 6 bilhões devidos pela Venezuela e encontrando indiferença das autoridades americanas em relação à dívida, segundo duas fontes.

Por muitos anos, a italiana Eni e a espanhola Repsol abasteceram a Venezuela com grandes quantidades de gás e nafta, produto usado para diluir o petróleo pesado do país e facilitar seu transporte.

As duas empresas são donas em conjunto do campo de gás Perla, na costa venezuelana. A Repsol diz fornecer cerca de um terço do gás usado para gerar eletricidade no país.

Até março, elas vinham recebendo petróleo venezuelano das autoridades como pagamento pelo gás. No entanto, Washington intensificou a pressão sobre Caracas e impediu esses pagamentos, ao revogar uma licença especial de operação para todas as empresas estrangeiras, embora depois tenha isentado a petrolífera americana Chevron da regra.

A medida expôs as duas empresas europeias a sanções caso continuassem a receber pagamentos.

Desde então, a Repsol e a Eni continuaram a fornecer gás venezuelano ao mercado local sem receber pagamentos em dinheiro ou em petróleo, acumulando apenas notas promissórias. Apesar de intenso lobby, nenhuma solução foi encontrada.

Uma fonte disse que a política de “Estados Unidos em Primeiro Lugar” do governo de Donald Trump vem tendo impacto sobre as empresas europeias em geral na Venezuela, sendo que algumas notam uma falta de urgência da Casa Branca para resolver seus problemas de pagamento.

O analista Kevin Book, da firma de análises econômicas ClearView Energy Partners, disse que o primeiro governo do presidente Donald Trump permitiu exceções em 2019 para determinadas empresas americanas que operavam na Venezuela. “Isso não é uma estratégia nova [..] O presidente usa a frase ‘EUA em Primeiro Lugar’, não se deve ignorar isso”, disse e

Antes de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter sido deposto pelos EUA no sábado, o executivo-chefe da Repsol, Josu Jon Imaz, havia dito que sua empresa mantinha negociações com os americanos para resolver o bloqueio aos pagamentos em dinheiro.

“Nós temos […] um diálogo construtivo e inteiramente transparente com o governo dos EUA no momento”, disse Imaz, em uma teleconferência sobre o balanço financeiro em outubro.

Segundo analistas, tanto a Eni quanto a Repsol, entre outras empresas europeias, poderiam ter interesse em investir no mercado de energia da Venezuela no futuro, mas as empresas não quiseram comentar sobre a possibilidade ou sobre a dívida não paga.

Os US$ 6 bilhões também incluem algumas dívidas anteriores referentes à nafta fornecida pela Eni e Repsol à petrolífera estatal venezuelana PDVSA em 2023.

A Repsol possui vários ativos na Venezuela, que em 2024 foi seu segundo maior mercado em volume de produção depois dos EUA, empatado com Trinidad e Tobago. A empresa produziu 24 milhões barris de petróleo equivalente (BPE), dos quais 85% eram gás, na Venezuela.

Com 256 milhões de BPEs comprovados registrados pela Repsol na Venezuela, o país tem 15% das reservas comprovadas totais da empresa.

O Tesouro dos EUA, que emite licenças especiais permitindo às empresas operarem na Venezuela, não respondeu de imediato a um pedido para comentar o assunto.https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/01/06/eni-e-repsol-tentam-recuperar-us-6-bi-em-pagamentos-da-venezuela-por-gas.ghtml

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