Engie mira M&A em hidrelétricas e eólicas e avalia converter UHEs em reversíveis

17/09/2026

A Engie vê espaço para investir em usinas hidrelétricas reversíveis no Brasil, mas condiciona os projetos à renovação das concessões, enquanto avalia oportunidades de M&A em hidrelétricas e eólicas em meio ao avanço do curtailment. A companhia também defende que os custos do leilão de baterias sejam rateados entre geradores e consumidores, em vez de concentrados em um único grupo de geradores.

As perpectivas foram compartilhadas por executivos da companhia durante evento com jornalistas realizado nesta quinta-feira, 17 de setembro, em São Paulo. 

Investimentos em hidrelétricas reversíveis

A companhia começou a estudar a conversão de algumas das suas hidrelétricas em usinas reversíveis, mas os futuros investimentos vão depender da renovação das concessões vigentes.

Atualmente, a companhia discute a renovação da concessão das hidrelétricas Salto Santiago, que tem contrato até 2030 e a Salto Osório, até 2031. O governo, porém, não decidiu se vai avançar por essa via ou se os ativos serão relicitados.

“Ninguém vai fazer um investimento caro sem ter a garantia de renovação da concessão. Pegando como exemplo a UHE Salto Osório, cuja concessão vence em 2031: ela poderia trazer benefícios se fosse transformada em reversível? Sim. Mas eu só vou começar a executar o projeto quando tiver a garantia de que conseguirei estender a concessão. Estamos começando a fazer os estudos. Ninguém fará um investimento sem ter a garantia de que terá a renovação da concessão”, comentou Guilherme Ferrari, diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da Engie.

O CEO da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, defendeu uma possível alteração egislativa para que as empresas possam usar recursos de pesquisa, desenvolvimento  e inovação (PDI) para fomentar a tecnologia.

“O uso de recursos de pesquisa e desenvolvimento, que muitas vezes são destinados a projetos de menor relevância para o setor, poderia ser direcionado ao desenvolvimento desse tipo de tecnologia, como uma nova fronteira tecnológica para a eletricidade no país. Essa é uma ideia, embora eu reconheça que não seja fácil de implementar”, destacou o executivo.

Além disso, executivos da companhia afirmaram que a renovação das concessões é positiva para o sistema porque evita que os atuais concessionários reduzam investimentos em manutenção diante da possibilidade de um eventual repasse dos ativos. 

Para Eduardo Sattamini, a discussão precisa avançar diante do papel relevante que as hidrelétricas têm e o cenário pode ser ainda mais preocupante em um momento em que as hidrelétricas têm contribuído para oferecer flexibilidade ao sistema nos períodos de pico de consumo.

M&A

Ainda no segmento de geração, os diretores da companhia comentaram que as hidrelétricas continuam no foco da Engie para operações de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), embora a oferta de ativos esteja menor. Usinas eólicas com perfil de geração mais concentrado no período noturno também estão no radar da empresa.

A fonte solar, por sua vez, está fora do radar, devido ao desafio adicional diante da perspectiva de manutenção dos cortes de geração (curtailment) por um período prolongado, por conta da característica da curva de geração dos empreendimentos.

Em relação à adesão ao mecanismo de compensação pelos cortes de geração realizados entre setembro de 2023 e agosto de 2025, determinado pela Lei 15.269, Leonardo Depiné, gerente de Relações com Investidores, disse que a companhia ainda não sabe quanto receberá. 

A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) estima que o ressarcimento deve somar R$ 3 bilhões. Considerando a participação estimada da Engie em parques eólicos e solares centralizados do país, Depiné estima que companhia poderá receber algo próximo de 7% desse montante.

Baterias

Em relação ao  armazenamento de energia, o diretor de Regulação e Estratégia da companhia, Gabriel Mann, defendeu uma divisão dos custos associados à contratação de baterias entre geradores e consumidores. 

O impasse está relacionado ao dispositivo da Lei 15.269 que atribuiu o pagamento do encargo que vai remunerar as baterias contratadas via leilões de reserva de capacidade aos geradores. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda está regulamentando a divisão do encargo entre os geradores.

Para a companhia, o “cenário ideal” seria de repasse deste custo para os consumidores. Ele ainda citou ainda que algumas associações representativas de segmentos do setor elétrico avaliam a judicialização do certame marcado para o fim do ano diante do impasse quanto a seu custeio.

Os executivos destacaram ainda diferenças importantes entre as baterias previstas em um dos lotes do primeiro leilão de transmissão de 2027 e o leilão de reserva de capacidade exclusivo para armazenamento de energia previsto para dezembro deste ano. 

Segundo Guilherme Ferrari, além de terem objetivos distintos — com o primeiro voltado a uma necessidade específica do sistema e o segundo a uma demanda mais ampla —, os certames também têm dimensões bastante diferentes. O lote de baterias do leilão de transmissão terá 100 MW, com duração de duas horas, enquanto o leilão exclusivo para armazenamento deve contratar entre 2 GW e 4 GW, por quatro horas.

Sinais econômicos

Eduardo Sattamini cobrou ainda a adoção de sinais econômicos adequados para aproveitar melhor a geração de energia disponível fora dos horários de maior consumo e avançar na eletrificação da economia. 

Na avaliação do executivo, a  eletrificação da indústria e da mobilidade pode ser acelerada por medidas coordenadas e incentivos governamentais adequados, desde que tenham prazo definido para começar e terminar.

Sattamini também apontou a necessidade de adaptar os sinais de preço à mudança no perfil de consumo dos brasileiros. Nesse contexto, citou a combinação entre eletrificação, baterias e mobilidade elétrica como parte dessa transformação.

Fonte: MegaWhat

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