Fusão entre Transocean e Valaris: Petrobras se manifesta ao Cade

Companhia solicita que o Conselho avalie de forma aprofundada os possíveis efeitos decorrentes da operação, como os potenciais impactos sobre futuras contratações de sondas para águas ultraprofundas
14/08/2026

Em manifestação ao Cade enviada na quarta-feira (12), a Petrobras solicitou que o Conselho avalie de forma aprofundada os possíveis efeitos decorrentes da fusão entre a Transocean e a Valaris. A estatal pede que sejam examinados, entre outros aspectos, a proximidade concorrencial entre as requerentes, a disponibilidade efetiva de ativos para atendimento da demanda e os potenciais impactos da operação sobre futuras contratações de sondas para águas ultraprofundas.

Segundo o documento, informações setoriais utilizadas pela Petrobras indicam a existência de aproximadamente 101 sondas para águas ultraprofundas ofertadas comercialmente em escala global. Dentre essas unidades, a Transocean opera aproximadamente 17 sondas e a Valaris aproximadamente 10 sondas, representando, em conjunto, cerca de 27% da frota mundial desse segmento.

“A operação reúne, portanto, a segunda e a quarta maiores frotas globais de sondas para águas ultraprofundas, formando o maior operador mundial desse segmento específico”, continua a Petrobras. Segundo a companhia, embora existam diversas categorias de sondas marítimas, as sondas para águas ultraprofundas são concebidas especificamente para operar nessas condições, com requisitos de projeto e capacidades técnicas próprias que não podem ser replicados por unidades projetadas para lâminas d’água menores.

Ainda segundo dados coletados pela estatal, após a operação, a nova Transocean e a Noble Drilling poderão concentrar aproximadamente 70% das sondas para águas ultraprofundas localizadas fora do Brasil pertencentes a empresas pré-qualificadas pela Petrobras. “Em determinados períodos, a disponibilidade efetiva de unidades aptas pode ser significativamente inferior à frota total existente, circunstância que potencialmente amplia a relevância concorrencial da operação”, afirma na manifestação.

Em resumo, a Petrobras argumenta que a integração proposta elimina uma fonte significativa de rivalidade atualmente existente no mercado, circunstância que merece especial atenção na análise dos potenciais efeitos unilaterais da operação. “A eliminação dessa rivalidade, por meio da aquisição pretendida, pode gerar incentivos para elevação de preços, endurecimento das condições comerciais e/ou redução da intensidade competitiva observada nos futuros procedimentos de contratação, especialmente em contextos de restrição de oferta”, diz a companhia.

Combinação 

A Transocean e a Valaris planejam combinar seus negócios por meio de uma operação de troca de ações, na qual a Transocean adquirirá a totalidade das ações em circulação da Valaris em troca de ações da Transocean. Caso a operação seja aprovada, os acionistas da Transocean deterão aproximadamente 53%, em base totalmente diluída, da empresa combinada, e os acionistas da Valaris deterão, em base totalmente diluída, os 47% restantes. 

A transação, avaliada em US$ 5,8 bilhões, foi anunciada ao mercado em fevereiro de 2026. A fusão cria uma empresa líder no setor com uma frota offshore de 73 sondas, sendo 33 de águas ultraprofundas, nove semissubmersíveis e 31 plataformas autoelevatórias (jackups) – totalizando uma carteira de pedidos (backlog) de aproximadamente US$ 10 bilhões.

Fonte: Brasil Energia

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