Petrobras retoma manutenção de refinarias

Estatal adiou paradas para garantir abastecimento de diesel durante guerra no Irã
05/08/2026

Depois de adiar paradas de manutenção de refinarias que estavam programadas para o período crítico da guerra no Oriente Médio, a Petrobras irá retomar os ajustes. A companhia vai parar três refinarias entre agosto e novembro, duas em São Paulo e uma no Paraná. Como consequência das paradas, a Petrobras irá compensar a menor produção própria com a importação. Especialistas de mercado não veem risco ao abastecimento de diesel.

A Refinaria de Paulínia (Replan), a maior unidade da Petrobras, está entre as manutenções. A refinaria, em São Paulo, é responsável por 23% da produção total de diesel da Petrobras e fará a parada de manutenção entre outubro e novembro. Segundo a estatal, o período de suspensão das atividades varia de acordo com a complexidade do escopo dos serviços e a estratégia de manutenção adotada para cada refinaria. Em geral, essas paradas têm duração entre 30 e 45 dias, disse a companhia. A Replan tem capacidade de processar 434 mil barris por dia. Além do diesel, a unidade produz gasolina , querosene de aviação (QAV) e gás liquefeito de petróleo (GLP). Ela atende principalmente o interior de São Paulo, Estados do Centro-Oeste e o Sul de Minas Gerais.

A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, produz 13% do total de diesel da Petrobras e terá parada entre outubro e novembro. A capacidade da unidade é de 207,5 mil barris por dia. A última da lista é a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em São Paulo, que terá manutenção em agosto. A unidade é responsável por 12% da produção de diesel da estatal.

No segundo trimestre, o fator de utilização das refinarias da Petrobras alcançou o recorde de 101,2%. Em abril e maio, o patamar chegou aos 102,5%. A capacidade instalada das refinarias é um volume de referência, mas a empresa consegue organizar a operação para ir além dos volumes considerados máximos. Foi o que ocorreu no segundo trimestre. No geral, a Petrobras atende cerca de 70% da demanda nacional por diesel. Os restantes 25% a 30% são supridos por importação. A companhia costuma complementar a produção própria com produto importado dos Estados Unidos

A Rússia, que se tornou grande fornecedora de diesel ao Brasil por conta das sanções da guerra na Ucrânia, implementou restrições à exportação em julho por sofrer ataques na estrutura de energia.

A Petrobras chegou a suspender importações de diesel em abril e maio para evitar o repasse da disparada do preço internacional ao mercado doméstico, mas precisou retomar as compras no fim de junho. Segundo a diretora de comercialização e logística da companhia, Angelica Laureano, os volumes importados estão dentro do que a Petrobras costumava fazer e busca manter os estoques.  “Temos cargas para atender até setembro. Estamos sempre monitorando os preços e frete para comprar na melhor oportunidade e manter nossos estoques”, disse ao Valor, em entrevista na semana passada.

Para Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), os dados apontam para forte importação da Petrobras em agosto. “A Petrobras já parece estar fazendo estoque para suportar as paradas de manutenção.”

Segundo a Abicom, o diesel da Petrobras está 53% mais barato que o importado, ou R$ 1,75. Pelos cálculos da consultoria StoneX, o produto da estatal está 56,7% abaixo do importado, ou R$ 1,85.

As altas margens de refino, por conta das guerras, têm levado unidades em todo o mundo a operar em capacidade máxima, disse Felipe Perez, diretor da S&P, o que aperta a agenda de manutenções. “Pela sazonalidade brasileira, é razoável fazer paradas no segundo semestre, mas o ano é atípico, com duas guerras que impactam o mercado. Se houver muitas unidades paradas pelo mundo, haverá restrições nos mercados.”

Fonte: Valor Econômico

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