Empresas do pré-sal estudam eletrificar plataformas

Projeto envolve consórcio de Libra na Bacia de Santos
18/06/2026

Um conjunto de empresas que atua no pré-sal, liderado pela Petrobras, está estudando a criação de uma rede de energia elétrica para atender plataformas de petróleo na busca por descarbonização mais eficiente das operações. O consórcio Libra contratou o Centro de Pesquisas em Energia Elétrica (Cepel) para avaliar a eletrificação de plataformas marítimas, com a conexão das unidades por rede elétrica dedicada, uma iniciativa inédita no país.

Responsável pelo campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, o consórcio Libra é composto pela Petrobras (operadora do campo), Shell Brasil, TotalEnergies e as chinesas CNPC e CNOOC, além da Pré-Sal Petróleo (PPSA), que faz a gestão dos contratos de partilha. O estudo, chamado de Power Grid, vai avaliar a viabilidade técnica e operacional da interligação de até cinco navios-plataformas por meio de um sistema elétrico submarino, nos moldes de um sistema tradicional, incluindo subestação.

Parte de um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o estudo tem prazo de dois anos e valor total de R$ 20 milhões. O consumo máximo de energia elétrica de cada plataforma é de 84 megawatts (MW).

As plataformas costumam usar sistemas de geração de energia tendo o gás natural produzido no próprio campo como insumo das turbinas e geradores instalados na unidade. Só que o gás gera emissões, disse o presidente do Cepel, Alexandre Orth. Com a eletrificação, o gás que seria usado para fornecer a energia passaria a ser destinado ao mercado.

O novo sistema também pode reduzir o lançamento dos gases na atmosfera e diminuir a quantidade de equipamentos na plataforma. O campo de Mero é o terceiro maior do pré-sal, com cinco plataformas: Pioneiro de Libra, Guanabara, Sepetiba, Duque de Caxias e Alexandre de Gusmão.

“Estamos construindo um futuro em que a produção é cada vez mais eficiente e sustentável. A eletrificação dos sistemas é um passo importante nessa direção”, disse Vinícius Machado, executivo da Petrobras e gerente de aplicações do consórcio de Libra, em nota.

Segundo Orth, do Cepel, um FPSO conta com mais de um sistema elétrico, para efeitos de redundância. Quando se conecta uma plataforma à outra com a rede elétrica, pode-se diminuir a quantidade de equipamentos para geração.  “Imagina que cada FPSO tenha dois geradores para produzir energia. Em cinco, tem dez [geradores]. No projeto, vou ter só um em cada navio. Se um navio gera [energia], tem outros quatro [navios] de ‘backup’. É mais inteligente”, afirmou.

Um aspecto que o projeto considera é o fato de que no início da produção de um campo, a pressão do óleo no reservatório é mais elevada. Quando o campo se torna maduro, após o ápice de produção, em dez ou 15 anos a partir do início da operação, é necessário adicionar mais equipamentos à plataforma, como compressores e sistemas de bombeamento para estimular a extração.

“Isso gera um problema se o FPSO não foi concebido com essa capacidade”, disse o presidente do Cepel. O sistema de “grid” já existe na Noruega, que passou a conectar as plataformas instaladas no Mar do Norte às hidrelétricas do país, um tipo de energia renovável, reduzindo as emissões, disse Orth. No Brasil, o tema chegou a ser estudado pela Petrobras, em uma parceria entre o Cepel e o Cenpes, centro de pesquisas da estatal, para integrar duas plataformas.

Agora, o Cepel poderá aplicar os conhecimentos que detém em transmissão de energia no projeto. Neste momento, o projeto contará com o uso do gás natural, com avaliações voltadas para a redução do uso do insumo.  No Brasil, diz Orth, há espaço para as plataformas serem atendidas por usinas eólicas offshore, como também ocorre na Noruega, e mesmo ao sistema elétrico nacional, no continente. Orth disse que o modelo pode ser replicado em outras operações no mar.

“Tem oportunidade de poder aproveitar mais o espaço para que a plataforma tenha mais equipamentos de produção e menos para geração de energia, por exemplo. Ganha-se produtividade. No início, pode-se ter mais investimentos,  só que tenho um ganho, de desligar alguns equipamentos e ter um modo melhor de operação, com produtividade e eficiência e impacto ambiental positivo”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico

OUTROS
artigos