Energisa seleciona projetos para testar baterias, tarifas e demanda

Chamada recebeu 296 propostas e deve selecionar iniciativas para ampliar testes de flexibilidade nas redes de distribuição
15/06/2026

A Energisa deve selecionar entre cinco e dez projetos para ampliar seus testes de flexibilidade elétrica nos próximos 12 meses, em uma iniciativa voltada ao desenvolvimento de soluções de armazenamento em baterias, resposta da demanda, tarifas inteligentes e agregação de recursos distribuídos.

A chamada de inovação lançada pela companhia em janeiro recebeu 296 propostas e marca uma nova etapa do FlexLab, laboratório criado pela distribuidora para testar tecnologias capazes de aumentar a eficiência  e a flexibilidade da operação das redes diante do avanço da geração distribuída, da mobilidade elétrica e da crescente eletrificação da economia.

Segundo a diretora de Inovação da Energisa, Letícia Dantas, a seleção final será concluída em 24 de junho. O anúncio oficial dos projetos escolhidos deve ocorrer entre julho e agosto.

“A gente tem como meta em 12 meses colocar esses projetos para rodar. Óbvio que não são projetos que começam e terminam em 12 meses, mas a meta é fazer um primeiro lote de projetos ainda esse ano e um segundo no primeiro semestre do ano que vem”,  afirmou durante o Aquecimento MinutoMega Talks, realizado pela MegaWhat no Rio de Janeiro.

Das 296 propostas recebidas, 70 avançaram para a fase de avaliação e 20 foram apresentadas diretamente a executivos da companhia e especialistas convidados durante um pitch day promovido pela empresa.

Os projetos selecionados serão inicialmente testados no ecossistema de flexibilidade da Energisa, que reúne ativos em Palmas (TO), Uberlândia (MG), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  Segundo Letícia, as iniciativas não estarão necessariamente restritas a essas localidades, mas elas devem concentrar os primeiros testes.

Baterias, eletropostos e resposta da demanda

A Energisa já opera sete ativos dentro de sua plataforma de flexibilidade. Entre eles estão sistemas de armazenamento instalados atrás do medidor (behind the meter) em consumidores comerciais e industriais, além de eletropostos e projetos voltados à operação da rede de distribuição.

Os sistemas de baterias instalados em uma academia e em um hotel de Palmas vêm sendo utilizados para testar aplicações como peak shaving, load shifting, modulação de consumo e ofertas de serviços associados à migração de consumidores para o mercado livre de energia.

Segundo Letícia, os projetos já apresentam benefícios econômicos aos clientes e têm permitido à distribuidora avaliar o desempenho das tecnologias em condições reais de operação.

Durante painel no evento, a executiva relatou que um dos consumidores participantes passou a utilizar o sistema de armazenamento como principal solução de backup energético, reduzindo a dependência de geradores a diesel.

“Ele falou que nem percebe mais a bateria. O que percebe é que o serviço funciona melhor e que deixou de depender do diesel”, comentou.

A companhia também desenvolve testes voltados à gestão inteligente de recarga de veículos elétricos em Uberlândia.

Segundo Letícia, o objetivo é otimizar a utilização dos eletropostos, reduzir períodos de ociosidade, melhorar as condições tarifárias para os operadores e, ao mesmo tempo, contribuir para uma operação mais eficiente da rede elétrica.

“É uma mecânica superinteressante de flexibilidade que mistura ajudar a rede, melhorar a tarifa e entregar mais vantagem, tanto para o dono do eletroposto quanto para o consumidor final”, afirmou.

Planejamento geoelétrico

A chamada de inovação foi estruturada em cinco grandes frentes: Open Energy, agregação de redes, mobilidade elétrica, armazenamento de energia e resposta da demanda.

Entre as propostas recebidas está uma iniciativa apresentada pela Universidade de Stanford voltada ao desenvolvimento de ferramentas de planejamento geoelétrico para distribuidoras.

Segundo Letícia, a proposta busca incorporar uma visão mais locacional ao planejamento das redes, levando em conta características específicas de cada região de concessão.

A executiva citou Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como exemplos de áreas onde fatores como crescimento da carga, expansão do agronegócio e avanço da geração distribuída exigem abordagens diferentes das tradicionalmente adotadas pelas distribuidoras.

“Soluções de planejamento de rede mais eficiente, mais robusto, que considera o planejamento elétrico geoelétrico, ou seja, a gente fazer planejamentos locacionais, considerando as realidades dos vários Brasis que a gente tem”, disse Letícia Dantas.

Segundo ela, a Energisa busca evoluir de modelos mais determinísticos para abordagens probabilísticas capazes de incorporar variáveis como clima, eventos extremos, crescimento regional, expansão da geração distribuída e adoção de veículos elétricos.

Tarifas inteligentes no radar

Outra frente que despertou interesse da distribuidora envolve o desenvolvimento de plataformas de tarifas inteligentes.

Uma das propostas recebidas pela Energisa foi desenvolvida nos Estados Unidos e utiliza inteligência artificial e modelos de machine learning para simular diferentes estruturas tarifárias em tempo real.

A iniciativa dialoga com experiências já realizadas pela companhia no sandbox tarifário da Aneel, no qual a distribuidora testou novos modelos de precificação e gestão do consumo.

Segundo Letícia, o objetivo agora é ampliar a capacidade de simulação e avaliação de alternativas tarifárias.

“Como que a gente consegue trazer mais tecnologia e uma camada maior de robustez para poder pensar novas tarifas e, principalmente, simular essas tarifas”, afirmou a diretora de Inovação.

Além das soluções tarifárias, a empresa recebeu propostas relacionadas à agregação de recursos distribuídos, plataformas compartilhadas e adaptação ao mercado brasileiro de tecnologias já utilizadas em países como Austrália, Estados Unidos e integrantes da União Europeia.

O valor total dos investimentos ainda não foi definido e dependerá dos projetos selecionados. A expectativa da companhia é transformar o FlexLab em uma plataforma permanente para desenvolvimento e validação de soluções de flexibilidade, tema que ganha relevância à medida que cresce a participação da geração distribuída, dos veículos elétricos e dos recursos energéticos distribuídos na operação do sistema elétrico.

Fonte: MegaWhat

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