A organização decidiu por mais 188 mil bpd em julho; análise da Rystad Energy prevê que os barris terão pouco impacto no mercado com o Estreito de Ormuz ainda fechado
08/06/2026
A Opep+ concordou em aumentar 188 mil bpd na produção de petróleo no mês de julho. A decisão tomada no domingo (7) representa o quarto ajuste consecutivo no ano e repete o mesmo valor acordado para junho (maio e abril foram de 206 mil bpd).
Os sete países da organização (Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã) aprovaram o aumento a fim de apoiar a estabilidade do mercado.
Também continuarão a monitorar e avaliar de perto as condições do mercado, bem como reafirmaram a importância de adotar uma abordagem cautelosa e manter total flexibilidade para aumentar, pausar ou reverter a eliminação dos ajustes voluntários de produção, incluindo a reversão dos ajustes voluntários previamente implementados anunciados em novembro de 2023.
Desde o dia 1º de maio, os Emirados Árabes Unidos não fazem mais parte do cartel. O anúncio de sua saída ocorreu no final de abril.
Aumento pode ter pouco impacto no mercado de petróleo
O ajuste na produção de julho, para a Rystad Energy, mostra que a Opep+ está se encaminhando para reverter a primeira parcela dos cortes voluntários até setembro ou antes. No entanto, segundo análise divulgada na segunda-feira (8), o impacto físico no mercado de hoje seria próximo de zero.
A questão para a consultoria é o momento da reversão da primeira parcela dos cortes voluntários, pois será difícil avaliar a capacidade de produção sustentável de cada país com o Estreito de Ormuz ainda fechado e os produtores operando abaixo dos níveis normais.
A estimativa da Rystad é que quando o Estreito for reaberto e os fluxos se recuperarem de forma gradual, poderá ter um excedente de oferta, cerca de 5 milhões de bpd nos meses seguintes à reabertura. O retorno da oferta da Opep+, maior produção de shale pelos EUA, menor demanda depois de um período de preços altos e uma possível alta da produção dos Emirados Árabes Unidos podem influenciar.
A necessidade dos países em reabastecer suas reservas de petróleo e reconstruir os estoques comerciais podem atrasar um pouco o cenário de superoferta. Contudo, seria apenas por um curto prazo, já que assim que a demanda for atendida, o excedente estrutural voltará.
Por fim, entende que a Opep+ poderá ser forçada a realizar um novo corte nos estoques quando passar a demanda de reposição, tornando este momento. “A coesão da Opep+ é fácil de manter quando o mercado se encarrega da disciplina. O verdadeiro teste é se isso se mantém quando os barris voltarem, os estoques forem repostos e os membros tiverem que decidir quem vai cortar gastos”, explicou o head de análise geopolítica da Rystad, Jorge Leon.
Fonte: Brasil Energia




