UFF defende dado aberto para estimar custo de descomissionamento

De acordo com João Neves, professor adjunto do Instituto de Ciência e Tecnologia da universidade, a metodologia já existe, mas faltam os dados
03/06/2026

É preciso ter dados abertos para conseguir estimar o custo da atividade de descomissionamento, defendeu João Alberto Neves dos Santos, professor adjunto do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), durante apresentação no 10º Workshop sobre Descomissionamento e Desmantelamento de Navios e Ativos Offshore, realizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena) nesta quarta-feira (3), no Rio de Janeiro (RJ).

“Esse tema não pode ser subjetivo. A gente precisa entrar nos estaleiros e fazer o levantamento de dados, para saber o quanto isso vai custar. A gente já tem a metodologia, e esses dados existem – eles só não estão abertos. E nós que somos pesquisadores queremos ver o dado objetivo, para fazer um custo matemático de descomissionamento. Não adianta somente falar que consegue fazer o descomissionamento. Mas o quanto vai custar isso para a empresa? Vale a pena? Com isso na mesa, podemos discutir melhor”, explicou Neves.

De acordo com Newton Narciso Pereira – também professor adjunto da UFF, que atua no Departamento de Engenharia de Produção na Escola de Engenharia Industrial Metalúrgica de Volta Redonda –, com a entrada da Convenção de Hong Kong (Convenção Internacional para a Reciclagem Segura e Ambientalmente Adequada de Navios), em junho de 2025, o mundo perdeu capacidade de reciclagem, e obviamente isso terá um impacto nos custos.

“Agora, quem concede essa autorização é o Estado, que precisa de garantias. Existe uma lista, no site da IMO [International Maritime Organization], com todas as instalações de reciclagem no mundo que estão aptas a fazer esse tipo de reciclagem dos países que ratificaram a Convenção de Hong Kong. Até então, antes da Convenção entrar em vigor, você não precisava estar nessa lista homologada pelo Estado. Agora o país, de certo modo, assume uma responsabilidade em relação a isso”, explicou Pereira. 

Para Diogo Pereira, Supply Chain Discipline Manager da SBM Offshore, o básico é aderir à Convenção de Hong Kong. “E existem projetos que elevam as regras da Convenção, como é o caso do PL [Projeto de Lei] nº 1584/2021, que é voltado para a reciclagem de embarcações. A Convenção acaba sendo muito alinhada com as particularidades do mercado europeu. No momento, esse projeto se encontra na CCJC [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania], a última comissão da Câmara, e é muito importante que ele seja votado o mais rápido possível”, defendeu o executivo.

Fonte: Brasil Energia

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