Países do Golfo podem voltar com 90% da produção em 6 meses

Análise da Wood Mackenzie aponta que Arábia Saudita e Emirados Árabes devem se recuperar mais rápido, enquanto o Iraque será o mais lento devido à maturidade e complexidade de seus campos
06/05/2026

A produção dos campos afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz pode voltar a 70% do patamar anterior em três meses e a 90% em seis meses, segundo análise da Wood Mackenzie. 

Dados da consultoria mostram que Arábia Saudita e Iraque estão aumentando de forma preventiva o fornecimento nos últimos dias. No entanto, destaca que o principal gargalo será a logística de retomar os fluxos de exportação e gerenciamento seguro do início das operações em campo, e não a capacidade de produção no subsolo.

Em relação aos fatores para recuperar a produção upstream, a consultoria mostra que natureza, qualidade e ponto de bolha dos reservatórios, mecanismos de recuperação e tecnologia utilizados, e salinidade da água são críticos. 

Há também os desafios acima do solo, como manuseio de gás e a reinjeção de água, que devem ser reiniciados simultaneamente para evitar danos ao reservatório, e a coordenação com a cadeia de suprimentos. 

“Múltiplos fatores podem inibir o ritmo ou a qualidade do reinício, como o posicionamento da equipe nos lugares certos; problemas mecânicos ou outros com sustentação artificial; reiniciar a geração remota de energia; e questões de garantia e integridade do fluxo dos dutos”, explicou a Wood Mackenzie. 

Essas questões variam de país para país e de campo para campo. A consultoria espera que a recuperação da produção na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos seja mais rápida, devido a terem reservatórios de alta qualidade e capacidade de gasodutos de exportação que contornam o Estreito. 

Já para o Kwait e para o Iraque a recuperação será mais lenta. Nenhum dos dois países dispunha de alternativas de exportação, o que resultou na paralisação forçada de toda a produção acima dos volumes que atendem à demanda local. O Iraque será o mais lento dos quatro grandes países a retornar aos níveis pré-guerra, devido à maturidade dos reservatórios e à complexidade técnica e operacional.

Etapas importantes para o retorno do petróleo ao mercado

A Wood Mackenzie identificou quatro etapas necessárias para restaurar a exportação de petróleo. A primeira é a garantia de passagem segura para o tráfego marítimo sem restrições pelo Estreito em ambas as direções. 

A segunda é colocar embarcações atualmente presas no Golfo a caminho do mercado, prevendo que todos já estão totalmente carregados com petróleo ou produto e prontos para uso. Já a terceira restaurar o protocolo de carregamento de petroleiros e a logística, enquanto a quarta restabelecer à capacidade as cadeias de valor pré-guerra em cada país – produção de poços, infraestrutura de oleodutos, refinarias, instalações petroquímicas, tanques de armazenamento e instalações de carga. 

Por fim, caso a recuperação da produção estagne, a consultoria entende que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm alguma flexibilidade. Com isso, podem usar sua capacidade de produção e armazenamento que restam para suavizar o aumento das exportações, caso haja contratempos na recuperação da produção de campos individuais.

Fonte: Brasil Energia

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