27/05/2026
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 26 de maio, um reajuste tarifário médio de 6,5% para a Cemig. A empresa atende aproximadamente 9,8 milhões de unidades consumidoras, cujo consumo de energia elétrica representa atualmente um faturamento anual da ordem de R$ 23,49 bilhões.
Os novos valores começam a valer a partir de 28 de maio, sendo que o impacto ficou dividido da seguinte forma: 9,43% para os consumidores de alta tensão e 5,21% para os consumidores residenciais B1.
Os índices aprovados serão impactados pela antecipação dos recursos da repactuação de cotas de Uso de Bem Público (UBP), conforme prevê a Lei nº 15.235/2025, em benefício da modicidade tarifária. Para os municípios abrangidos pela área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) serão destinados cerca de R$ 73 milhões, de modo que o efeito médio para o consumidor de baixa tensão desses municípios fique em 4,51%, ante os 5,21% sinalizados na deliberação. A redução se dará por meio de aplicação posterior de um fator redutor.
O que impactou a tarifa?
O reajuste médio de 6,5% da tarifa da Cemig foi influenciado por três fatores principais: atualização dos custos da distribuidora (parcela A e B), inclusão de compensações financeiras para os próximos 12 meses e retirada de componentes financeiros do reajuste anterior.
Entre os principais impactos no reajuste: os custos da parcela A contribuíram com 0,68%; a parcela B adicionou 1,4%, refletindo a inflação medida pelo IGP-M; e os encargos setoriais tiveram impacto de 0,53%.
Nos encargos, destacam-se a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) Uso, que subiu 19,4% e acrescentou 2,97% ao reajuste; os encargos de Energia de Reserva (EER), de Serviços do Sistema (ESS) e Reserva de Capacidade (ERCap) tiveram um impacto de 0, 22% no efeito médio, com variação de 9,9%; a extinção da CDE geração distribuída reduziu o efeito médio em 1,98%; e o Proinfa caiu 30,3%, reduzindo o reajuste em 0,65%.
Os custos de transmissão aumentaram 5,4%, impactando a tarifa em 0,64%, principalmente por causa das novas Receitas Anuais Permitidas (RAPs) e das novas Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (Tust) aprovadas pela Aneel para 2025-2026.
Já os custos de compra de energia ajudaram a reduzir o reajuste em 0,54%, devido à queda do custo da energia de Itaipu, favorecida pela cotação do dólar (-0,86%); e à redução dos custos de contratos bilaterais (-0,82%).
Os Componentes Financeiros apurados contribuíram para o efeito de 7,07% relacionado a efeitos do processo atual e -2,65% relacionado a efeitos da retirada de componentes do processo anterior.
A conta de compensação da parcela A (CVA) teve impacto relevante de 5,66%, por diferenças entre custos previstos e realizados com energia, transmissão e encargos.
A parcela A reúne os custos não gerenciáveis pela distribuidora, como compra de energia, encargos setoriais e uso dos sistemas de transmissão, que são apenas arrecadados e repassados às geradoras, transmissoras e fundos do setor.
Já a parcela B corresponde aos custos gerenciáveis da concessionária, incluindo despesas operacionais, manutenção, investimentos e expansão da rede, além da remuneração da distribuidora, sendo reajustada anualmente pela inflação e pelo Fator X, mecanismo de eficiência definido pela Aneel.
Fonte: MegaWhat




