26/05/2026
O governo federal lançou nesta segunda-feira, 25 de maio, o 5º Leilão do Eco Invest Brasil, iniciativa que pretende mobilizar até R$ 50 bilhões para financiar inovação tecnológica, pesquisa aplicada e cadeias industriais ligadas à transição ecológica.
Com aporte de até R$ 2,5 bilhões do Tesouro Nacional, a nova etapa é apontada pelo Ministério da Fazenda como a maior já realizada pelo programa e busca atrair capital privado para setores estratégicos como fertilizantes verdes, combustíveis sustentáveis, inteligência artificial, minerais críticos e baterias.
A iniciativa cria três mecanismos financeiros complementares para aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de tecnologias relacionadas à transição ecológica e à neoindustrialização do país.
O leilão também prevê a criação de seis fundos de inovação do Eco Invest Brasil, além de uma linha de crédito corporativo e recursos não reembolsáveis destinados à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.
Nesta etapa, o Tesouro Nacional poderá aportar até R$ 2,5 bilhões. Desse total, até R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação — que, com alavancagem mínima de duas vezes, poderão alcançar até R$ 4,5 bilhões em recursos. Outros R$ 1 bilhão serão direcionados à linha de crédito corporativo, que exigirá participação privada equivalente a, pelo menos, o dobro do capital público investido.
“Não existe competitividade sem inovação, e não existe inovação em escala sem conexão entre ciência, capital e setor produtivo. O que estamos estruturando é um modelo capaz de transformar demanda industrial em tecnologia e em produto real. Hoje, por exemplo, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome. Com esses instrumentos, vamos desenvolver tecnologia nacional avançada, elevando o patamar de investimentos nesses setores. O Brasil passa a não apenas consumir, mas criar, exportar e liderar”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Fundos para cadeias estratégicas
Os seis fundos de inovação serão direcionados a setores considerados estratégicos para a nova economia global, incluindo fertilizantes verdes, combustíveis sustentáveis avançados, automação industrial, inteligência artificial aplicada à indústria, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias, veículos elétricos, química verde, biomateriais e soluções de economia circular para resíduos minerais e industriais.
De acordo com Rogério Ceron, secretário executivo do Ministério da Fazenda, uma das cadeias produtivas que podem ser impulsionadas pelos novos instrumentos financeiros é a do SAF (Combustível Sustentável de Aviação), segmento considerado prioritário para a descarbonização do transporte aéreo.
Já Durigan destacou que o quinto leilão do Eco Invest Brasil também pode aumentar a resiliência econômica e energética do país em meio às tensões geopolíticas internacionais e à pressão sobre os mercados globais de combustíveis.
Segundo o ministro, embora os conflitos no Oriente Médio provoquem impactos em diversas economias, o Brasil se encontra em posição relativamente mais favorável.
“Essa é uma guerra que vai começar a desarranjar cadeias produtivas mundo afora. Na Índia, por exemplo, já se discute racionamento. Na Coreia do Sul, há controle de preços. Existe impacto no Brasil, mas, comparativamente ao restante do mundo, ele é muito menor”, afirmou.
O ministro acrescentou que a manutenção dos investimentos de grandes empresas, como a Petrobras, somada à atração de novos recursos para segmentos como SAF, biometano e fertilizantes, pode fortalecer a segurança energética e industrial do país.
“Vamos aumentar a resiliência de um país que tem todas as condições de liderar o mundo neste novo contexto de desafios geopolíticos”, concluiu.
Resultado do 4º Leilão
Além do anúncio do novo leilão, o governo também apresentou os resultados do 4º Leilão do Eco Invest Brasil, voltado à bioeconomia, ao turismo sustentável e à infraestrutura habilitante na Amazônia Legal. A rodada recebeu propostas de oito instituições financeiras e registrou demanda superior a R$ 7 bilhões em recursos catalíticos, com potencial para mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.
Do total, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico na linha principal, a partir dos lances do ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. O montante deverá viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões com captação internacional.
O eixo de infraestrutura concentrou o maior volume de recursos, com mais de R$ 7,8 bilhões destinados à Amazônia Legal. Já a bioeconomia mobilizou R$ 4,4 bilhões em investimentos ligados à bioindustrialização, sociobioeconomia e restauração produtiva. O turismo sustentável deverá receber cerca de R$ 900 milhões para iniciativas ligadas ao turismo ecológico, unidades de conservação e turismo de base comunitária.
O Programa
O Eco Invest Brasil, iniciativa do Ministério da Fazenda liderada pelo Tesouro Nacional, integra o Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica, e tem como objetivo mobilizar capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental. O programa combina instrumentos financeiros inovadores, redução de risco e atração de investimentos de longo prazo para impulsionar a transição ecológica brasileira.
Com os quatro leilões já realizados, o Eco Invest Brasil já alcançou mais de R$ 140 bilhões mobilizados e reúne 13 instituições financeiras credenciadas, consolidando-se como uma das principais plataformas de financiamento climático e desenvolvimento sustentável do país.
Fonte: MegaWhat




