No Rio, hotéis de luxo investem em novas unidades e reformas

Grupos como Accor, Four Seasons, Fairmont, MGallery, PortoBello, Windsor e Fasano estão disputando os turistas de alta renda
26/05/2026

A hotelaria de luxo opera com demanda em alta no Rio e o movimento chamou a atenção de bandeiras internacionais, que se voltaram para o mercado local. Nomes como Sofitel, da rede hoteleira francesa Accor, e Four Seasons, da canadense homônima, anunciaram novas unidades na cidade.

O mercado de hotéis de luxo no país registrou receita de R$ 3,7 bilhões no ano passado, segundo dados preliminares da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA). Foram R$ 3,3 bilhões em 2024.

Também atentas ao boom no setor marcas consolidadas no Rio investem em reformas. Hall de entrada novo, expansão de áreas de alimentos e bebidas, inauguração de spa e retrofit, ou modernização de unidades antigas, são algumas das novidades que Fairmont, MGallery, grupo PortoBello, Windsor e Fasano preparam para ganhar hóspedes no disputado mercado de luxo da hotelaria carioca.

E a concorrência deve aumentar, se depender da inauguração, no último trimestre de 2026, do hotel Sofitel Rio de Janeiro Ipanema. Localizado onde era o tradicional hotel Caesar Park Ipanema, na zona sul do Rio, o novo empreendimento de luxo da Accor terá 170 quartos e 52 suítes, além de spa, centro de ginástica, piscina de borda infinita e “rooftop” com vista panorâmica.

“Trazer de volta essa marca ao Rio é motivo de grande alegria”, diz Netto Moreira, diretor geral do cluster de luxo da Accor no Rio. O hotel Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, com 375 quartos e também da Accor, já foi da bandeira Sofitel – sendo lançado com marca Fairmont em 2019. Ambas são bandeiras de luxo da rede francesa. O executivo preferiu não revelar o investimento no Sofitel Rio.

A expectativa é que o retorno do empreendimento seja garantido pela ocupação hoteleira e também pelas atrações gastronômicas da unidade. Haverá restaurante no 21º andar com 24 lugares, comandado por Rafael Costa e Silva, chef do restaurante Lasai, na zona sul do Rio, com duas estrelas Michelin; uma “brasserie” de praia no 22º andar, com cozinha franco-brasileira; bistrô no térreo; e bar no “rooftop”. Os ganhos com alimentos e bebidas devem representar em torno de 30% a 35% do faturamento do novo hotel, diz Moreira.

A Accor também faz melhorias no Faimont Rio, entre as quais estão expansão do centro de convenções para atrair mais eventos, e criação de novas suítes, com jardins integrados às varandas.

Para Moreira, o Rio se consolida como “hub de hotelaria de luxo”, impulsionado pelo estilo de vida carioca, com foco em experiências. “Esperamos que [o novo Sofitel] inspire outros investidores a multiplicar o número de ‘Sofitéis’ no Brasil”, diz. “Há potencial de termos outro [Sofitel] no Rio.”

Outra bandeira de luxo que aposta no mercado local é a Four Seasons. No fim de 2025, a rede anunciou o Four Seasons Hotel Rio de Janeiro at Leblon, que aproveitará a estrutura do Marina Palace, atualmente fechado. Serão 120 apartamentos e suítes, com inauguração prevista em 2029. “Temos orgulho em lançar o Four Seasons no Rio de Janeiro, dando continuidade à nossa expansão estratégica na América do Sul e marcando o nosso retorno ao Brasil”, disse, em comunicado, Alejandro Reynal, presidente e CEO global do Four Seasons. A rede já tinha operado em São Paulo entre 2018 e 2020.

O bom momento da hotelaria de luxo no Rio faz parte de movimento mais amplo, em que o mercado brasileiro como um todo é visto com interesse por grandes grupos do setor, diz Camilla Barretto, CEO da BLTA. A organização conta com 75 associados, sendo 67 hotéis. “Existe interesse muito maior pelo Brasil, do que existia há anos atrás. E o Rio é a maior porta de entrada”, diz.

Pesquisa com associados da BLTA indicou faturamento, em dados preliminares, de R$ 3,7 bilhões em 2025. Caso confirmado, seria 12,12% acima de 2024 (R$ 3,3 bilhões). Para a CEO da BLTA, a expansão da hotelaria de luxo, no Rio e no Brasil, é de longo prazo. Isso é comprovado por novos projetos na área. Barretto disse que redes consolidadas só investem após análise de demanda futura.

Turismo de experiências é uma das atrações do Santa Teresa MGallery, também da rede Accor, com 43 quartos, na zona Sul do Rio. “Fazemos ‘experiências’ no bar da piscina”, disse Sophie Barbara, gerente-geral do hotel. No bar, a bandeira oferece aulas aos hóspedes sobre cachaça e café, do processo de produção até a mesa do hóspede. O hotel tenta investir em experiências ligadas à história do estilo colonial clássico da unidade. A estrutura abrigou, no século XIX, uma fazenda de café.

Assim como outros hotéis de luxo no Rio, a bandeira também tem aprimorado a unidade, de olho na demanda em alta. O hotel expandiu, neste ano, a área de bar da piscina. Antes com capacidade para 10 pessoas, agora pode abrigar 40 clientes. “Após reforma, a receita do bar da piscina quase triplicou”, disse Barbara. Um novo salão, atrás do hotel, com inauguração prevista para 2027, também está sendo construído para aproveitar a alta procura por reserva de eventos.

Não são apenas bandeiras internacionais que realizam aprimoramentos. O Portobello Resort & Safari, em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, pertencente ao Grupo Portobello, tem 25 milhões de metros quadrados, 158 acomodações e pista de pouso própria, a vai inaugurar spa em 2026.

Movimento semelhante tem a rede nacional Windsor Hotéis, com 17 unidades no país – três são cinco estrelas no Rio. “Estamos avaliando, ainda em 2026, a realização de retrofit em uma de nossas unidades premium no Rio”, disse Vitor Almeida, gerente de marketing da rede.

Outra marca nacional com investimentos programados é o Fasano Rio, do grupo de mesmo nome. São 89 acomodações, na zona sul da cidade. A rede, que faz 20 anos em 2027, renovou as suítes deluxe (premium) da unidade, com a criação de cozinhas completas e equipadas com eletrodomésticos. Reformas, na área da piscina, e obras de restauro no lobby também foram feitas.

Fonte: Valor Econômico

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