CPFL defende manutenção do CVaR e vê carga de data centers crescer 24%

15/05/2026

A CPFL avalia que o mecanismo de aversão ao risco CVaR deve permanecer em 15/40, em benefício da estabilidade regulatória e por avaliar que o parâmetro preserva reservatórios e evita despacho térmico fora da ordem de mérito. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deve definir, até o fim de julho, o parâmetro que vai vigorar a partir de 2027.

“É um parâmetro que foi introduzido no começo de 2025, então a gente não tem nem um ano e meio e uma mudança nova desse parâmetro pode trazer mais instabilidade”, disse o vice-presidente de Operações de Mercado da empresa, Vitor Fagali. Para ele, a formação de preços no Brasil já é um tema “bastante complexo”, e a instabilidade com mudanças de regras tende a não melhorar o panorama.

A empresa gerou, no primeiro trimestre de 2026, 2.853 GWh, com aumento de 16,6% em um ano. Do total gerado nos primeiros meses de 2026, 61,8% ocorreu em UHEs (com despacho 34,1% maior do que o registrado um ano antes) e mais 17,2% em PCHs (com aumento de 8,6% no despacho).

A boa geração hídrica compensou a queda nas fontes eólica (-12,3% em um ano, a 585 GWh) e solar (-43,9% em um ano, a 0,2 GWh). Os parques da CPFL tiveram curtailment de 20,4% no trimestre, a 69 MW médios, contra 16,8% da geração um ano antes. Segundo a empresa, o curtailment representou 1/3 da redução em sua geração eólica, e outros 2/3 se devem à menor performance de ventos.

Leilão de baterias

A CPFL realizou teleconferência com acionistas sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026 nesta sexta-feira, 15 de maio. No evento, a diretoria comentou sobre a expectativa para o leilão de baterias, que até o momento não teve as diretrizes divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Fagali afirmou esperar que o certame aconteça ainda em 2026, mas reconhece que o atraso na regulação pode fazer com que o leilão seja postergado. De qualquer forma, a empresa já prepara um projeto para o certame. “A expectativa da companhia para o leilão de bateria é muito alta”, disse.

O presidente da CPFL, Gustavo Estrella, declarou que tratar a intermitência do setor elétrico brasileiro é um desafio e que o leilão de baterias se insere neste contexto.

Carga de data center aumenta 24% em um ano

O consumo de energia por data centers na área de concessão da CPFL atingiu 275 GWh no primeiro trimestre de 2026, montante 23,9% superior do que o registrado um ano antes e que representa um avanço de 52,7% desde 2023. “Já responde por 8% de toda a classe comercial”, disse Estrella.

Com base em projetos já aprovados ou em desenvolvimento em sua área de concessão, a CPFL avalia que a carga do segmento de banco de dados deve continuar se expandindo, apesar dos desafios de conexão à rede, especialmente na de transmissão. “Tem uma demanda represada muito grande”, avalia o presidente da empresa.

Considerando todas as classes, o consumo de energia na área de concessão da CPFL foi de 20.116 GWh, com redução de 0,7% em um ano. Do total consumido no 1T26, a energia faturada foi de 18.503 GWh, o que correspondeu a 92% do montante completo, enquanto 8% foi compensação de geração distribuída (GD). Há um ano, a energia faturada foi 93,4% do  total, a 18.917 GWh.

Resultados

No primeiro trimestre de 2026, a CPFL registrou lucro líquido de R$ 1,9 bilhão, um crescimento de 18,2% em um ano. O  Ebitda (“lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização”, na sigla em inglês) foi de R$ 3,9 bilhões, com variação positiva de 0,2% na comparação anual. A receita operacional bruta foi de R$ 16,8 bilhões, montante 9,3% superior do que o registrado no 1T25.

A receita operacional líquida atingiu R$ 11,3 bilhões, com avanço de 6,4% em um ano. Deste total, R$ 9,5 bilhões vieram pelo segmento de distribuição, seguidos por R$ 1,7 bilhão de geração e gestão de energia. O segmento de transmissão contribuiu com R$ 547 milhões da receita operacional líquida e o setor de serviços teve fatia de R$ 305 milhões no total. Houve perdas de R$ 713 milhões em “eliminações e outros”

A CPFL reportou perdas de 9,76% em março de 2026, no acumulado de 12 meses, segundo nova metodologia de cálculo da energia requerida e das perdas não técnicas estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O montante está acima do limite de 8,46% estabelecido pela agência. Seguindo o mesmo cálculo, as perdas acumuladas em 12 meses em março de 2025 eram de 9,76%.

Fonte: MegaWhat

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