Light espera concluir RJ em 2026 após renovação de concessão encerrar ‘ciclo de incerteza’

15/05/2026

Em recuperação judicial (RJ) desde 2023, a Light espera encerrar o processo em meados do segundo semestre deste ano, informou o novo diretor Financeiro da companhia, Leonardo Gadelha.

A renovação da concessão da distribuidora, formalizada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em 8 de maio, possibilitou que o Conselho de Administração da Light S.A. aprovasse o aumento de capital da companhia entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, conforme anunciado nesta quinta-feira, 14 de maio. O procedimento tem como objetivo cumprir obrigações do plano de RJ da companhia. 

“A gente inicia agora o aumento de capital e logo em seguida a saída da recuperação judicial. A gente mira que tudo isso vai acontecer até meados do segundo semestre”, disse Gadelha em teleconferência com acionistas sobre o resultado do primeiro trimestre da companhia, realizada nesta sexta-feira, 15 de maio.

A empresa não quis comentar quem seriam os acionistas-âncora para este aumento de capital, mas se mostrou confiante em atingir o teto de R$ 1,5 bilhão na emissão, cujo cronograma já começa neste mês de maio.

A renovação da concessão também viabilizou o reconhecimento pontual de R$ 2,9 bilhões de créditos tributários, o que levou a companhia a registrar lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, montante quase sete vezes maior do que o lucro de R$ 419 milhões registrado no mesmo período de 2025. O resultado líquido ajustado da companhia sem o impacto dos créditos tributários seria um prejuízo de R$ 80 milhões.

“Apesar de esse efeito ser ‘não caixa’, a gente vai poder aproveitar esses créditos, que são oriundos de prejuízos fiscais, nos próximos anos com impacto em caixa”, disse Gadelha.

“A renovação encerra um ciclo de incerteza”, declarou durante a conferência o presidente do grupo Light, Alexandre Nogueira. Os executivos destacaram o tratamento diferenciado que o novo contrato confere às áreas de risco na região de concessão da Light, em relação a perdas não-técnicas, inadimplência e índices de qualidade, além de tarifas específicas para estas áreas. “Este é um tema essencial para o enfrentamento estrutural do desafio na nossa área de concessão”, disse Nogueira. Outro destaque do novo contrato, para a Light, é o reconhecimento anual dos investimentos feitos na concessão.

A renovação, que tem início em junho de 2026 e período de 30 anos, também prevê o investimento de R$ 10 bilhões ao longo dos próximos cinco anos na área de concessão da distribuidora.

A companhia avalia como marco importante a renovação tarifária marcada para março de 2027. “Já vai ser feita no âmbito desse novo contrato e a gente acredita que vai ser o último passo para confirmar o turnaround da companhia e a gente entrar no novo ciclo”, avalia Gadelha.

Resultados

No primeiro trimestre de 2026, a Light registrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, quase sete vezes maior do que o lucro de R$ 419 milhões registrado no mesmo período de 2025. Desconsiderando fatores extraordinários, o resultado ajustado seria um prejuízo de R$ 80 milhões, contra lucro ajustado de R$ 267 milhões um ano antes.

O Ebitda (“lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização”, na sigla em inglês) foi de R$ 430 milhões, com redução de 50,7% na base anual.

Entre os fatores que impactaram o Ebitda, a Light mencionou a queda no mercado de energia em sua área de concessão, em função de temperaturas mais amenas do que no ano anterior e uma retração do mercado industrial, especialmente siderurgia.

Outro fator importante foi o maior preço médio de compra de energia para compensar perdas não-técnicas. A rubrica de pessoal, material, serviços de terceiros e outras despesas (PMSO) também aumentou e encerrou o trimestre em um patamar que a empresa avalia ser o definitivo considerando sua estrutura de custos.

A receita no período foi de R$ 3,7 bilhões, com avanço de 13,5% em um ano.

No trimestre, o mercado de energia da Light foi de 6.750 GWh, com queda de 5,3% em um ano. A empresa avalia que, neste trimestre, as temperaturas estavam mais amenas e que a base de comparação era muito elevada, já que fevereiro de 2025 registrou temperaturas recordes desde 2022.

O mercado cativo caiu 7,7%, fechando o trimestre a 3.790 GWh, e o uso da rede foi de 2.539 GWh, com redução de 2,5% em um ano. As perdas não técnicas foram de 8.170 GWh, com queda de 7,1% na comparação anual.

Fonte: MegaWhat

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