Reforma tributária vai mudar competição entre Estados

Guerra fiscal imulsionou redistribuição regional da indústria no país, dizem economistas
12/05/2026

A guerra fiscal, disputa entre Estados para atrair empresas via benefícios fiscais, impulsionou a redistribuição regional da indústria no país, segundo economistas das federações das indústrias dos Estados de Goiás, Santa Catarina e Pernambuco.

Carlos Henrique Oliveira, economista da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), disse que a guerra fiscal foi “determinante” para o Estado ser o “motor” do setor industrial do Centro-Oeste. “A economia goiana se diversificou e interiorizou, tornando-se a nona maior do país graças à política de incentivos fiscais adotada em 1984, com o programa “Fomentar”, e em 2000, com o “Produzir”, além de obras de infraestrutura e investimentos em formação de mão de obra, disse Oliveira.

No entendimento de Oliveira, Goiás também soube transformar “centralidade territorial em vantagem logística real”. O escoamento de produção, em direção aos portos do Sudeste e ao corredor Norte-Centro-Oeste, é facilitado por essa condição natural. Malha viária, em expansão, e existência de ferrovias também foram citadas como vantagens. O economista lembrou que a reforma tributária acaba, gradualmente, com a guerra fiscal. “O ICMS é a base da política de incentivos fiscais. Com a mudança do modelo tributário, essa política [de incentivos] também deixará de existir”, admite.

Pablo Bittencourt, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), ponderou que a reforma tributária deve ser elemento importante para o adensamento industrial futuro. O fim do efeito cumulativo de impostos pode favorecer o encadeamento produtivo em regiões com mão de obra e infraestrutura competitivas, notou. “E aí Santa Catarina pode se beneficiar”, diz.

No entendimento dele, Santa Catarina tem capacidade interna de prover diversificação industrial, com encadeamento produtivo. Lembrou que, no “boom de commodities” nos anos 2000, a demanda externa por esse tipo de produto impulsionou exportações e isso acelerou a indústria de carnes no Estado. Lembrou que o crescimento de demanda interna por eletrodomésticos impulsionou fábricas nas cidades de Brusque, Jaraguá e Joinville. Essa capacidade interna de diversificação industrial deve prosseguir, disse.

Para Cezar Andrade, economista da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o ambiente competitivo entre Estados no setor industrial deve mudar de forma estrutural com a reforma tributária. “A partir de 2032, com o fim dos incentivos fiscais regionais, Estados como Pernambuco precisarão competir muito mais por eficiência, logística e produtividade e não apenas por benefícios tributários”, disse. “A infraestrutura passa a ser o principal diferencial competitivo para manter e atrair novos investimentos industriais”, completa.

Fonte: Valor Econômico

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