Emirados Árabes Unidos anunciam saída da Opep

Decisão acontece no auge das tensões geopolíticas decorrentes da guerra deflagrada pelos EUA e Israel contra o Irã e deve levar ao aumento da produção do país e perda da capacidade da organização de influenciar oferta e preços do mercado
28/04/2026

A guerra no Oriente Médio provocou nesta terça-feira (28) uma forte alteração na correlação de forças da produção mundial de petróleo e gás, com o anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da Opep +, anunciado pelo país do Golfo Pérsico em comunicado na agência de notícias estatal Emirates News Agency (WAN).

A saída do país, masrcada para o dia 1/5, acontecerá em um momento das mais altas cotações dos preços do petróleo e gás, com o Brent ultrapassando a cotação de US$ 111 o barril, impulsionados pelo fechamento do Estreito de Ormuz imposto pelo Irã após ataques dos EUA e de Israel, além de tensões geopolíticas com a Arábia Saudita e, mais recentemente, com os países árabes vizinhos.

A Opep foi fundada em 1960 e o país ingressou em 1967. O grupo passa a ter agora 11 países membros (Argélia, Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Irã, Iraque, Kwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita e Venezuela). A Opep+ inclui esses 11 países mais outros 10 que não são membros (Rússia, Azerbaijão, Bahrein, Brunei, Cazaquistão, Malásia, México, Omã, Sudão e Sudão do Sul).

Expectativa a longo prazo do país

No comunicado, os Emirados Árabes disseram que a decisão do país “reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo”, bem como um investimento em sua produção doméstica.

A saída da organização mostra o interesse do país em rever sua produção atual, se preparar para um possível aumento de produção e atender os mercados de energia de outros países. Os Emirados Árabes Unidos também veem um possível crescimento na demanda global de energia a médio e longo prazo. 

“A decisão reflete uma evolução orientada por políticas na abordagem dos Emirados Árabes Unidos, aumentando a flexibilidade para responder à dinâmica do mercado enquanto continua contribuindo para a estabilidade de maneira medida e responsável”, pontuou o comunicado divulgado pela WAM. 

O ministro do Ministério de Energia e Infraestrutura do país, Suhail al-Mazrouei, afirmou em seu perfil no X que a saída está “alinhada com a evolução baseada nas políticas do setor e compatível com os fundamentos de mercado de longo prazo”. 

O ministro agradeceu à Opep e aos países membros pelo tempo que esteve na organização, além de reiterar o compromisso com a segurança energética, fornecendo “suprimentos confiáveis, responsáveis e de baixas emissões”. 

A saída dos Emirados foi vista como um baque na Opep. Para o head de Análise Geopolítica da Rystad Energy, Jorge Leon, isso pode desbalancear a capacidade da Opep de gerir o mercado. “A Opep e a Opep+ só foram tão fortes quanto a disposição dos seus membros em reter barris de petróleo do mercado, e os Emirados Árabes Unidos eram um desses países”, destacou Leon. 

Para a Rystad Energy, o país e a Arábia Saudita eram os pilares do cartel que seguravam os preços do petróleo. Agora, o papel ficou só com um deles. Segundo Leon, a Opep com uma estrutura mais fraca e com menos capacidade ociosa dentro do grupo, terá mais dificuldades em controlar oferta e preços. 

Os Emirados Árabes Unidos produziam 3,6 milhões de bpd pré-guerra, e tem capacidade para produzir 4,8 milhões de bpd. “Perder um membro com capacidade de 4,8 milhões de barris por dia e com a ambição de produzir ainda mais, representa uma perda significativa para o grupo”, estimou Jorge Leon. 

head da consultoria pontuou que os produtores com capacidade ociosa podem priorizar a monetização das reservas e a proteção da quota de mercado em detrimento da contenção coletiva. E os Emirados Árabes Unidos estão bem posicionados para testar a estratégia fora do grupo. 

A questão fica para a Arábia Saudita, se o país conseguirá ser o principal país estabilizador do mercado, principalmente se tiver que arcar com a parcela desproporcional do ajuste.

Fonte: Brasil Energia

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