O volume de petróleo importado em janeiro e fevereiro deste ano é o menor desde 2021. Já as exportações, no período, bateram recorde na série histórica da ANP
20/04/2026
Desde o auge da pandemia, em 2021, o Brasil não importava tão pouco petróleo quanto neste ano. Nos meses de janeiro de 2021 e de 2026, foram trazidos do exterior 12,3 milhões de barris do insumo, segundo estatística divulgada pela agência reguladora ANP. Os números ainda não refletem o cenário da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro deste ano.
Em janeiro, foram importados 5 milhões de barris, uma queda de 37,6% em relação a igual mês de 2025. E, em fevereiro, foram comprados 7,3 milhões de barris. A retração acumulada nos dois meses é de 10,5%, contra igual período do ano anterior.
A importação de petróleo vinha em patamares mais elevados desde 2023, ainda que em trajetória decrescente. Em 2023 foram importados 106 milhões de barris. Em 2024, 103 milhões de barris. E, em 2025, 90 milhões de barris.
O recorde de importação brasileira de petróleo, pela série histórica da ANP, iniciada no ano 2000, aconteceu em 2004, quando foram comprados no exterior 169 milhões de barris. Mas, desde 2008, dois anos após a descoberta do pré-sal, os volumes vinham caindo. Voltou a crescer em 2022 (100 milhões de barris), mas, logo em seguida, em 2024, caiu novamente.
A atual queda nas importações acontece em boa hora, justamente quando o mercado internacional é afetado pelo desabastecimento provocado pela guerra e quando a cotação da commodity dispara. A queda dos gastos com a importação é ainda mais acentuada neste ano do que a dos volumes adquiridos.
O Brasil gastou US$ 318 milhões para importar petróleo em janeiro, 50% menos do que em igual mês do ano anterior. Em fevereiro, o gasto foi de US$ 492 milhões. No acumulado nos dois meses, a queda é de 27%. Segundo a ANP, em janeiro e fevereiro, o barril importado estava sendo negociado a US$ 63 e US$ 67, respectivamente, valores 19% inferiores aos de iguais meses de 2025.
“Hoje somos exportadores líquidos (cerca de 1 milhão de barris por dia). A razão de ainda importarmos, mesmo sendo exportadores líquidos, é alcançar um blend mais adequado para nosso parque de refino”, afirmou Luciano Losekann, coordenador do Grupo de Energia e Regulação da UFF.
O especialista concorda que a descoberta do pré-sal ajudou o Brasil a reduzir a importação e a preparar o país para situações de desabastecimento como a atual, provocada pela guerra do Irã.
Já as exportações atingiram níveis recordes para os meses de janeiro e fevereiro, na série histórica da ANP. No primeiro mês de 2026, foram 71 milhões de barris, 6,7% mais do que em janeiro de 2025. Em fevereiro, foram 64,5 milhões de barris. A alta acumulada no ano é de 39,5%.
Fonte: Brasil Energia


